19 dezembro 2010

a.c.o.l.h.e.r.



estivemos
a colher
o amor e o colo
o sexo e o sorriso...
semeados
cul..ti...va....dos
em líquido nutriz
(com-ple-tu-de)
em instantes de leveza
(so-li-dão)
e períodos hercúleos
(du-pli-ci-da-de)
quando
acolher
o estranho
o espelho
o vulto do que foi ou será...
ou mesmo seria
ficou para ser colhido numa outra safra

17 dezembro 2010

o.n.d.e. e.s.t.á. o. l.e.m.e.

Ouvindo Tim Maia
Curando as feridas
Deve haver algo entre o Leme e o Pontal
Mas que não cabe em meu coração.

16 dezembro 2010

i.n.e.q.u.í.v.o.c.o.

desça do andor pitonisa
ainda que não queiras ouro
ainda que sejas só link
ainda que não brinques com palavras
e, justo por isso, venha...

junte-se a mim
com pé-no-chão
com a sola rachada e
olhe de onde não vêem os falcões
reto...
presto...
igual...

que caminhes como todos
que andes em todos...
teu dom é inequívoco
mas tu assustas
com teu jeito narcísico
acaso és imune ao siroco?

ó dileta vidente
percebas o que carrego no ventre
estou grávido-de-amor
e só poderei parir
se andares comigo
não tenho escravos ou fãs
tenho apenas mente
pernas 
desejos
e o bucho cheio de pequenos nós.

desça e faça o meu parto.

15 dezembro 2010

p.a.l.a.v.r.a.s. v.i.v.a.s

já subiram os montes
e desceram às Marianas
pegaram um trem
uma nave
um cometa...
já fizeram misérias


tentei negociar
fazer as pazes
sussurrar intimamente
fechar a boca
segurar os dedos...
elas brincam comigo


susto!
talvez...
em paz
(quem saberá?)
elas voltem...
e se inscrevam em qualquer lugar

meu cinzel

g.a.v.i.ã.o.

Como um pássaro
não numa gaiola
mas no parapeito
no para-inferno
e não pára de pensar 
                                          [de dentro].

Como um falcão peregrino
de olhos fixos e atento
na sua presa
na sua pressa
de caçar o futuro de cima.

Como um corvo
vendo a sobrexistência em potência
andando nas ruas
dentro de eficazes armadilhas
na chuva que cai
                                             [de fora]

Como alguém que não se vê
e fita a alma irrequieta
em suas labaredas...
o nome que me chama
e ouve de longe uma voz

[que ao corpo chega por cima]


09 dezembro 2010

r.e.s.u.m.o.


(minha)
casa
sem sala
e janela
(nem ala ou corredor)
sem
porta
ou sal
(sem grandes diferenças)
sem
o xadrez
dos bispos
(no entanto, sempre plural).

06 dezembro 2010

d.é.c.o.r. l.a.n.t.e.r.n.e.s.

Os versos são impecáveis
como os dois
na mesma noite
perdidos e maculados

Se as letras estão frias...
como décor lanternes
revela intervalo tão curto
quanto expressivas reticências

Se o papel já não é depositário de lágrimas
que seja oceano
onde as naus
com
suas
velas
cintilantes
risquem os desejos
formando garatujas
até a primeira estrela do norte aparecer

d.e.s.c.a.n.s.o.

Casa caiada
cimento arenoso...
existe descanso
onde só existem fantasias
e reminiscências?

05 dezembro 2010

m.a.c.h.a.d.o.s.

Não foram os machados
mas um único raio 
de seu contraponto
que retirou ou véus varal
desgrenhou os cabelos 
sem 
subir
qualquer 
tom

sem ouvir qualquer som

Não foram os machados
mas os espelhos que refletiram
o aroma diferente que volta à areia
o sentimento de pertença lhe era estranho
sendo
inteiro

sendo verdadeiro

Não foi o golpe presto de um machado
mas 
tudo
bem...
os pássaros pousam na minha varanda

e as velas queimam tranquilamente
tendo desejo
(en)tendo-me guerreiro.

01 dezembro 2010

D.I.A. M.U.N.D.I.A.L. D.E. C.O.M.B.A.T.E. A. A.I.D.S.

p.o.u.c.a.s. r.e.s.p.o.s.t.a.s.

Ele lapida minha revolução em jóias
encanta minhas respostas felinas
que se tornam leves brisas
mesmo quando nascem tempestades...

O que nos diz o um sorriso ?

Eu sou o que diferencia
o contraponto onde não há pólos
a rua quando chove
o avesso do que vês no espelho...

O que realmente lhe comove?

A presença dele tem o dom de perfumar
trazendo, contudo, uma nova aposta
ele deixa por onde passa o cheiro de alecrim
seduzindo um coração que de sorte anda ingênuo...

Será que Colombina ama mesmo Arlequim?

... poucas respostas.

24 novembro 2010

N.a.u.

Que minha alma-nau deslize pelas águas por vezes tranquilas de tuas palavras, 

que tenha a força e a segurança dos teus versos nas tormentas. Que minh'alma de 

poeta arredio permaneça nos braços do encanto, por todos os cantos e enquantos 

das sílabas presas à boca - pelo cansaço que só um grande amor proporciona. 

Que minha alma, este veleiro sem velas, tenha todo o seu oceano como 

atracadouro e apenas palavras flautadas como porto.

19 novembro 2010

Deixe-me!

Mais que a fé

o Amor é faca amolada

- canavial e foice!

Mais que a escravidão da alma

o Amor  tem o vício de fazer senhores

- é prisão e peão!

Mais que do que um coração

o Amor são os excrementos do corpo

-  é choro e pele seca.

Mais que um verbete

o Amor é um imperativo

um gozo

algo que, em última instância,

parece-me estar morto.

18 novembro 2010

15 novembro 2010

Eledá

Não sou o  Ọba  de Ketu

No entanto empunho algumas lanças


Acariciadas por todas as folhas


Que alcançam o brilho do céu mais alto


E numa curva perigosa e suave


Trazem-me uma liberdade e toda fartura.




Não sou rei, nem bravo Guerreiro


No entanto tenho espadas, coroa de mariwo ...  e setas


Tanto na imensidão do intangível


Quanto no caminho que se abre em vastidão


Carrego a coragem de seguir solitário


Como um andarilho viril ou um belo caçador!

07 novembro 2010

s.o.r.t.e.

um pedaço de mim
um presente para o mundo
uma pergunta para ti
tudo isso em poucos minutos

um pouco de choro
todo seu encanto de alegria
uma espada sendo forjada
por vários artífices... 
que dele aprenderam o dom -
num ciclo infindo de pulsões
de vida e de morte

um pedaço de mim
que fechou um inverno
que chegou num botão de lírio
com o sol presente em parte de tudo

a flor que chegou
mais que depressa laçou-me
um pai de um filho de um pai
que dele é mais que tutor...
tão ingênuo quanto o verde aprendiz
sou feliz por poder contemplar,
de tão perto, a vida recriando-se.

05 novembro 2010

r.i.o.

Light my fire
deixa de ser uma música

Je t'aime moi non plus
é só uma figura de retória

Nobreza
não passa um título falido

Only time
marcou apenas o meu tempo

Do not stop the music
the concert will go on

Enquanto o rio passa
procuro um taxi para minha vida!

02 novembro 2010

A. r.u.a.

De que ninho falas
De onde vieram
estes gravetos e penas quentes
se já não somos mais passarinhos?

Se a terra nos fez gente!

Por que insistes em cercar
essa casa, retocar a pintura...
uma casa sem lareira ou meias,
se há tempos não mais moramos?

O rua foi o tempo!

Voamos
ou pegamos o primeiro cometa?
Não sei o que de fato aconteceu
quando as mãos os nós soltaram...

Eu...
Costumava falar no plural...

24 outubro 2010

P.a.s.s.e.i.

Passei por você diversas vezes
Passei de você para mim
Passei pelo sonho de ter
Passei inimaginavelmente sem pensar em fim
Passei...

Passei pela cor e pelos banhos
Passei pelos livros e os metais
Passei de mim para todos eles
Passei comedidamente pelo amor
Passei...

Passei, andei, corri...
Passei e quase verti minh'alma
Passei deixando o ontem numa gaveta
Passei, com tudo isso, em calma
Passei...

 [com algum susto]

Eu lhe alcancei!

22 outubro 2010

Hare Krishna

M.a.d.a.n.a M.o.h.a.n.a.


Guardei-me em terras distantes, num passeio justo e solo. 
Guardei-me de algumas angústias e outras felicidades. 
Guardei-me. 
Não se incomode, nem se inquiete... 
Não me julgue, nem declame outros poemas. 
Guardei-me nos domínios de Morpheus, 
embalado por Srimati Radharan,
e nos braços de Yemanjá. 
Guardei-me dos meus impulsos
e das lágrimas que, 
invertidamente,
rolavam olho a dentro.

21 outubro 2010

e.m. c.í.r.c.u.l.o.s.

        (ária ou mente) 

 tempo                             que 

    do                                                      fora

                     Casa                                                                     deixado              

   otrauq                                     ortned

                            on                      ocsurb                   

     (etnem an)




A essência do meu sentir faz-se na ausência, ou em seu máximo oposto. Canto, danço e declamo com sorrisos nas mãos e coração embebido de ti.

 Da pureza do um-a-um ao transparente estar-só, não há diferença na velocidade acelerada do sangue... Ou dos olhos que fecham-se solenemente quando os pelos se eriçam diante da epifania do Nós.

14 outubro 2010

12 outubro 2010

I.n.t.e.r.s.t.í.c.i.o.


Período de interstício criativo. Estou devorando o livro Fragmentos de Um Discurso Amoroso de Roland Barthes e vários livros de Fernando Pessoa que vieram especialmente de Portugal.

Um herói ferido precisa retirar-se da cena para que possa voltar a combater com palavras e versos.

Olorun Modupé, Olorun Didê.

Hare Krishna . Haribol

06 outubro 2010

E g o t r i p

Eu que caio
lembro-me
dali pode nada nascer

Eu que levanto
fico atento
o rabo-de-arraia vem de todos os lados
                                                                             [em tempos não tão diferentes]

Só não posso parar
- talvez um pouco.
                                                                [contrariando a Inércia]
Um pouco de ópio e sentido e desejo para continuar

Eu que sinto...
- Por favor, cale-se!
Os leões famintos e o Amor chegaram

Eu que calo e falo
que compreendo e aprendo
não descanso para esquecer...

05 outubro 2010

I n


Insônia
p  r  o   fusão de pensamentos

i n q u i e t a ç õ e s 
e tédio.

O corpo pede
                         a mente repele
                                                       descanso.

                Para comer
fazer xixi   ou nave 
                                     gar...

Ansiedade.


Insônia
proteção 
contra 
vulcões
que 
habitam 
o
escaninho 
                   do  cérebro.

03 outubro 2010

Fez-se o silêncio no caminho

e a Arte quis explodir em mim 

guardei o mais secreto num escaninho 

e de resto, gritei pro Sol... 

Vociferei contra a dor 

... Alimentei minh'alma da falta de ruído.

Ser pai de Ulisses

ser pai de quem me salvou o sorriso
 
É a certeza absoluta
 
de ser pai de meu futuro -
 
eu decido quando ser feliz...

25 setembro 2010

              Em
                       ca s a
                                  em
                        e  s       p        e r     a
       reco
      lhim
      ento
                    e
           placi
                   dez
                           uma corrida
                         .
                       .
                    .
  endor
            fina
                  adoça 
                   e a
        calma!

22 setembro 2010

Q.u.o.d.o.r.e.

Eu pensei em árvores
na altura que elas me dariam
na sombra posta
e nas raízes profundas
                      Impostas

Eu criei verdades solventes
que correriam nas seivas
subindo às copas
num jogo de cartas
sem valetes ou damas 
                      Sem quodore

Seus olhos de mato verde
pegando fogo pelo caminho
- a procrastinação do destino
que no aveludado sonho
nos fez crer

Eu pensei em árvores
entrei pela janela 
do não-dito ... Do espírito
sendo visto por teus olhos
para além da mata
                      Dos olhos!

16 setembro 2010

c.a.s.t.e.l.o. d.e. a.r.e.i.a.

uma porta
- assemelhava-se ao portal de Hades
eram olhos, bocas e sangue
grito contido, dor lascada
todos viam ou forjavam um semblante
- um corredor empestado e 
repleto de impedimentos subjetivos
tem perna, mão, cadeira
copo com água e gaze no chão

uma porta
- onde se aprende a morrer
era queda, descida e coma
humor no abismo e a sina de Prometeu
- o Homem que pende para o nada
horror, soro, acesso (encontre logo)
o cuidador que se morre e mata
uma moléstia, silenciosa, dissimulada... disseminada

não atravesse
é uma porta
não é aviso ou epitáfio
não é descrença, mas a cor do descaso
em números estampados
nas portas

05 setembro 2010

Uli

- Como é que papai te chama?

- Filhote!

- E mamãe?

- Pacote!

- E seu nome?

- "Ulishes. Uli Pago"

02 setembro 2010

Sentidos do mal-dizer

fico mudo
frente ao assombro
e da ousadia da maldade
diferente da crueldade patológica.

tampo os ouvidos
a cada insensatez vertida
a maledicência cantada
mas meus dedos não são de algodão

ainda que não visse
presumiria...
sem paranóias
 e só o fechamento da gestalt

o que é ruim também tem gosto
deixa uma indignação em azia
um mal-estar-louco
o bem, bem pouco

posso alucinar
até mesmo delirar
só não tenho mais idade
para à ingenuidade me fingir dar.

23 agosto 2010

"Amor, matéria etérea

- Quem dirá?
 
Fino ou desasado 

colorido no meu cinza particular;

intriga-me uma questão 

em qualquer lugar

por onde eu for... 

Quem forjou
 
desmedida dor?"

Sophios Sand

16 agosto 2010

30 julho 2010

N.ã.o.

Onde é que o não engasga?
Fica preso e maltratando
feito uma espinha gigante
de um malfeito peixe-imaginário...

Por que não dizer o não?
Por que criar um câncer
uma neurose
Fazer um sintoma para se sentir melhor?

Que arcaicos grilhões prendem estas letras?
De que são feitos os elos desta corrente?
Tesa, tensa, cinza, agressiva, intrépida
e capaz de asfixiar sem o menor toque.

Dizer é mais que pronunciar...
amar é mais que dizer sim...
desejar é mais do que necessitar
o não é mais que uma negação...

O não que preciso dizer
ultrapassa as pregas da minha voz
é maior que o meu desejo
não cabe mais em meu corpo

É o que você precisa ouvir!

27 julho 2010

A.l.g.u.n.s d.i.a.s.

Tem dias que não me dá vontade de escrever... insisto, mas sou tão crítico que me inibo. Tem que fazer sentido, fazer-se ouvir, ao menos para mim. Minha complacência comigo é mínima, se não nula. Encaro bem a estiagem, fico pensando apenas que é muito gostoso escrever, mesmo que que sejam palavras ensanguentadas, surradas, por vezes mal-humoradas... Tem alguns dias que não escrevo. Pronto.

15 julho 2010

L.i.m.i.t.e.

Eu lhe dei o meu limite
você ultrapassou, brincou
quis testar...

Havia lhe dado todas as chances
você me olhou de longe
ensaiou sair, ficou
quis me experimentar...

Dei-te a chama da minha cama
deleitou-se, embeveceu-se
bebeu água e sorriu
vestiu a roupa
e tentou me por à prova.
Pedi que voltasse
foste fumar, deitou-se e dormiu
fazendo as vezes de um tolo.

Velei um pouco teu sono
e decidi!

Com algumas lágrimas me testei.

- Vá,
porque haverá
ao menos um outro!

Não esqueça de levar a luminária
há muito apagada.

********

"Fumar unzinho e ouvir Coltrane
Não faço mais isso mas entendo muito bem
(...)
E você diz daquele seu jeito:
- Ai, eu preciso de um homem! -
E eu digo: - Ah, Leila, eu também! -
E a gente ri"