23 junho 2011

21 junho 2011

d.i.m.i.n.u.t.o.

O poeta está vivo
 
ainda que tristeza não tenha fim...
 
é um dos seus alimentos preferidos
 
enquanto brinca com as pepitas de felicidade.
 
O poeta está vivo
 
pois quando o amor é uma flor
 
ele sente cheiro de pedra
 
e saboreia sua inquietude.

20 junho 2011

c.i.c.l.o.t.i.m.i.a.

Amor solúvel 

Rima com engano

Com desespero e histeria. 
Com o deixar-se cooptar...

É o próprio grito ensurdecedor:

Derrube-me de onde me colocaste!

Será esta minha condição?

Apaixonar -me por trechos

De músicas, de poemas

de mistérios, de pessoas encantadoras...

E não sustentar a inteireza que tudo isso traz.

Pergunto-me da falta.

Penetro na falha.

Vasculho em minhas roupas.

Perscruto meus inanimados.

Mergulho espelho adentro

E não consigo ter um dia perfeito,

Um sonho real, que ao acordar perceba suas marcas,

Um tóxico que me inebrie para todo sempre...

Talvez "amor perfeito" seja apenas uma bela flor

Que brota e logo morre em meu jardim.

16 junho 2011

o.f.e.r.t.a.

Não me ofereça sua mão

Tomarei seu corpo inteiro

Não sei viver em partes

Não me divido

Não te quero ao meio

Dê-me o que tiver de melhor

E serei o espelho do seu amor

Ainda que diferentes

Guardarei em mim o seu tesouro

De minh'alma para a sua

Numa linguagem única e indecifrável

15 junho 2011

s.e.t.e.s.

Se forem sete letras

Uma já se perde até chegar aos dedos

Mais duas pela falta de concentração

Outra se vai na preocupação de não esquecer

Sobram apenas três...

E não há como ter engano

São as mesmas que repito devotadamente...

O que quer dizer eu te amo?

14 junho 2011

l.e.m.b.r.a.n.ç.a.


Lembra da moça que fiava girassóis?

Sinto-me hoje desfiado como as borboletas

Hoje me sinto ontem e amanhã

Amanhã vou me sentir como hoje

E gozar do depois de amanhã.

A saudade é uma brincadeira 

de falta de esquecimento!

A saudade pode matar

Por excesso de lembranças.

13 junho 2011

Ogún Nhé Patacorí Ao Anegí

Salve o meu Pai

Fortalece a minha Guia

Faz-me múltiplo, mesmo sendo um
Sinto Tua força e tua espada 

Tua energia a me proteger

Salve o Guerreiro, salve Ogún.
 
 

12 junho 2011

u.m. 1.2. d.e. j.u.n.h.o. a.q.u.i. e. a.c.o.l.á..

doze de Junho
doze mil motivos para correr
doze vezes na mesma fila
doze meses para criar, chorar e sorrir.

doze menos Junho é seis
doze são dois inteiros de seis
doze é o dobro de todo Junho
doze é o início, meio e fim de todo duplo seis

doze de Junho
doze lápis na caixa das cores
doze agulhas para costurar o que sinto
doze marca a senescência e o nascimento de paixões

doze menos o ano inteiro?
doze por toda a vida
doze beijos no espelho
doze vezes doze afagos no amor

doze de Junho
doze querendo namorar
doze magicamente virão seis ou menos
doze é um símbolo do querer bem.

10 junho 2011

It's all over

Já está na hora 
(ou já findou)
de entender isto! 
Sair da beira 
do abismo 
(essa cena ordinária)
E voltar a ser corisco.
Nessa dádiva do recomeço
(mas não ileso)
E de tantos princípios
(não menos sofridos)
quantos forem precisos.

02 junho 2011

sem poesia

- É mesmo...
(estou mais calado
prestando atenção ao umbigo
sem querer mexer os lábios, os braços, os cabelos...
pensamentos e reflexões consomem muito e
é pouco o que ainda tenho de energia).
Ando meio sem poesia,
na verdade, ando me estranhando,
ando não me vendo de tanta analgesia
de tanto antinflamatório, raio-x, ultrassonografia
(raio disparatado de dor!)
- comprimido de tudo quanto é cor;
 de tanto tropeçar, não tiro mais a guia.
Eu estou mesmo é sem o que dizer
perdi brilho, perdi luz, perdi ardor
baixei hospital, baixei emergência
(baixei em tudo quanto foi doutor)
tentando entender o porquê desse horror,
encontrei-me tão silencioso quanto uma pedra pode parecer...

É uma briga muda de artigo, sujeito e letra,
uma encenação sem o verbo (e sem ação)!



- Este é o buraco que cavaras!
ouço ao longe e dou de ombros.