21 dezembro 2011

à.s.e.

Nada pior que a prisão sem muros e com a acesso a tudo. 



Nada pior que ter bons desconhecidos muito perto e 



queridos amados extremamente distantes.



O que é melhor quando se precisa passar pelo pior, 



o horror, para estar bem?

Talvez acreditar.



Talvez ter fé 



- Um Orisá! -

Um brisa, um pedaço de fogo

Um barra-vento, um misto de águas

Ter alguém que lhe diga "Colofé"


E olhe nos seus olhos e diga

 "Olorun Modupé"

19 dezembro 2011

quatro ventos

Já saudei os quatro ventos e
Pedi força à Senhora dos ventos
Que me livrasse dos maus quebrantos
e até mesmo dos que vagam sem destino.

Fui até as minhas flores
Pedaços de mim que vêm de longe
D'uma desejada terra de gigantes brancos

(...)

Vida, fé e paixão
voltei-me aos pássaros 
Já não domino os contornos
Nem quero ficar sozinho


Preciso de muito mais que gigantes ao meu redor
Vou brincar n'água e sentir a brisa

08 dezembro 2011

c.h.e.g.u.e.i.

Cheguei
Finalmente abri os portões
Que há tempos,
Que há muito tempo...
Que há tantas vidas...
Passo fantasiado ao largo
Vestindo fantasmas ou fantasioso-sendo...

Cheguei!
Com a minha vontade
Mas vacilando no desejo;
Pendulando sentimentos caros
Nos joelhos, já de muito ralados - 
Um pouco cansados
De caminhar, de cair ou de levantar?

Cheguei!
Onde pensei que heróis não chegariam
Onde não queria chegar
Onde não passo de outro superhumano
São supers, megas, ultras, o v e r s ...
(---)

Abri os portões e só tinha mais um passo
Eram minhas mãos a me puxar e me repudiar.

Cheguei mas já estou indo!
[27.11.11.]

16 novembro 2011

Gaia

Toda vez que morre um Amor, 

nascem duas flores no coração de Gaia 

para aconchegar, em suas pétalas, 

os peitos solitários dos amantes! 



remotos controles



Calado está quem tudo fala

Cansado está quem nada faz;

No jogo do tudo ou nada

Já passei pelos remotos...

Não ande sempre nos trilhos

E saiba que os opostos se encontram

Quase sempre num cunhal.

08 novembro 2011

p.r.o.m.e.t.i.d.o.

Esperar o prometido
É o mesmo que esperar pelo choro do uísque 
Que fazer dança para chover
Ou comprar uma calça menor
E não dar chilique.

Esperar o prometidos
Muitas vezes é enxergar-se culpada
Fazer-me ver egoísta
- Um fora de moral
Dominado pela malícia

Esperar o prometido
É amar um fantasma
Um devaneio, uma fantasia
Ó delineadora dos contornos
Dá-me a chance de dizer: quem diria?


02 novembro 2011

jaz(em)mim


Vou te dar um beijo e um cheiro


Com sabor de alfazema e noz-moscada. 

Colorir seu dia de azul-amarelo-verde

Fazer um carinho no seu cabelo.

Ajeitar o màriwo num cantinho

E ouvir você sonhar sem receio.


Enquanto passam tempos e ventos

Percebo-te - o eu-em-você por excelência

As velas o incenso e o jasmim completam e

Penetram-nos por inteiro

E sem dar conta das tuas contas castanho-claro abertas

Começamos a sorrir

Tendo paixão desejo amor e fé

Como o mais sofisticado dos recheios. 

12 outubro 2011

fallen angels

Caem os objetos
Ficam as objeções 

Cai do meio-do-caminho
E permanece inteirinho

Cada queda um buraco
Fica mais apertada a dança

Caem, tendo apenas olhos mexer 
E dane-se quem irá emudecer 

Cai, mas volta para o escaninho
Roto e limpo, carregado e desinvestido 

E quando caem as objeções
Já não há mais sentido.

23 setembro 2011

p.a.l.c.o.s.

Coloque teus lábios
Ame o que desejas ter
Se for meu amor
Não haverá barganha [ é você ]
Entregue teus braços
Deseje o que precisa amar
Se for o que entrego
Por que lutar contra o mar?

Beijos, solidão e abraços
Todos na mesma cena dramática
Consumindo minhas personas
Impedindo uma atuação fálica

Lágrima, dor, sonhos 
Co-diretores de coxia 
Lembrando-me o essencial 
Disciplina no amor - eu diria

Qual a zona de conforto
Se o amor lhe chama?
No palco nos expondo
Ou platéia ou na cama? 
(24.05.2000)

piscina vazia

Na verdade, desiludi ...

quero uma piscina vazia de mim


para que eu aprecie 


com todos os sentidos 


tudo o que não sou


ou ainda não estou


pode ser também um caminho


que por birra


lá não vou!

20 setembro 2011

t.e.r.ç.a.-.f.e.i.r.a.


Terça de santo

                                                              Um rosário para cantar

Dois terços daquela frase

Um terço de decepção

Parte da Terça já é um terço de tudo

Bem como dois terços do nada que virá...

12 setembro 2011

d.a.n.ç.a.

Sobre meninos e homens

corações e debandadas 

amarelo e humor

sobre o choro contido e o teatro

interrogações e desmandes

espadas e desejos

sobre minha implosão e o facebook

braceletes e praias

cama e samba

(dança sobre a dança sobre a nossa trança)

sobre o que quer e quem me come

abraços e barbeiragem 

teorias e sexo

sobre o desejo de saltar e a fome

língua e aberrações

fogo e inquietação...

Sobre o que de real vejo e minhas paixões. 

06 setembro 2011

u.l.t.r.a.


Ultrapassá-la

Ultra age 

Ultra passar

Ultra penar

Ultra tumbice

Ultra age

Ultra disciplinar

Ultra sorver

Ultra servir

Ultra sonhar

Ultra passagem 

Ultra sodalício

Ultra saber

Ultrapassar-me

Ultra não é meta. 

01 setembro 2011

"Tudo que restará já está pelo meio
No meio de cultura
do Amor e seus experimentos passionais!" Sophios Sand

27 agosto 2011

f.a.l.é.s.i.a.

é penhasco
é abismo
falésia psíquica.

um pé, depois um giro...
(180 graus sem medo) 
e troco de pé.
flerto com a borda
num eterno estado de ameaça
de amar,
de pular,
de viver ou voar...

um passo atrás
e folgo a corda
acalmo meu desejo
desperto sua ira
respiro
e você se irrita sobremodo.

por enquanto este é meu lugar:
um pé dentro 
outro fora de todas as vidas. 

é penhasco
é abismo.

24 agosto 2011

Quase sempre tudo parece tão errado, tão difícil, tão sem sentido... 
Chego mesmo me perguntar será que sou eu...  
Eu tenho que suportar?

20 agosto 2011

e.n.t.r.e.g.a.

trago esperança e história novas

rara para seus desejos

ainda não satisfeitos e as realizações do devir

-não morra!

salvar-te-ei ainda que com os olhos já cerrados...

pedaço de vida gerado no fim do túnel - meu caminho.

luz, quero luz e te dou minhas córneas,

ar nos pulmões e cadência ao coração...

-não desista de esperar.

transformarei o processo de luto dos meus

em alegria para todos os outros

também meus.

19 agosto 2011

t.r.a.n.s.p.l.a.n.t.e.

Dar-te, devolver, o que é seu

e que me emprestara na minha aurora...

Agora, depois do meu salto no escuro,

entrego-te, com minha marca,

a possibilidade de continuar

pintando nosso quadro.

18 agosto 2011

q.u.i.n.a.

De tanto canto que ouço

Permaneço longe de todas as quinas

Es 
          cu 
                   to 

porque meu 

e  n   can   t  o

teima em

docilizar minha paz tra

                                       qui

                                        na!


 "A nave em breve ao vento vaga de leve e trás
Toda a paz que um dia o desejo levou"
Esquinas - Djavan

14 agosto 2011

e.m. b.l.u.e.s.

Canto em tons 
de   r  o  s  a   pastel
quando me   ve  jo 
sem você. 
Sem a sua presença de lírios
brancos em minha calma. 
 
Por que nos deixamos à mercê curvas roxas sem explicações e desprovidas de textura? Sim, canto para você com todo meu corp'alm'ente. 
Lágrimas e jasmins descem pela minha pele invertida 
- pranto em tudo que tenho. 
Aguardar deve ser mesmo guardar-se em blue.

05 agosto 2011

c.o.n.s.t.r.u.ç.ã.o.

Chamem-me de luz e de cometa ou de estrela - mas não me digam do túnel ou da masmorra e da sombra. Sou o que dobra no canto de um quarto ou de um salão de beleza ou mesmo de uma floresta sem encantos. Sou minha própria dobra - comsumindo-me em mim e do lado de dentro.
Na mesa de trabalho uma caneta um bloco de memórias alheias mais alguns sonhos esquecidos no consultório... Na mesa tem os meus anos de estudo minhas angústias de análise mais as palavras dos que portam o estandarte... Na mesa tem o arrepio da fantasia de o outro saber-se e a certeza de poder-me. Oh, na minha mesa...
 Vejo-me envolto em feixes de luz e questões de todas as matizes de cores. O amarelo e suas nuances misturado ao quem-sou-eu-? O vermelho pergunta de onde vim e o azul - ah, o azul ... Oito infinitos em potência e dever me vestem enquanto passeio pelas veredas de descobrir.

01 agosto 2011

Tempo

Tempo sem postar
Tempo de por demais de ansioso
Tempo de movimento
Tempo certeiro e reto, nada duvidoso
Tampo de palavras não prostrar
Tempo para a saudade, não o lamento...


"Tudo com Tempo tem tempo."

23 julho 2011

q.u.e.b.r.a.d.ei.r.a.

Tenho samba chula e

Não me canso de mapé,

Levo tudo num jeito faceiro 

Do Paraguaçu ao Subaé. 

Dos Caxixis a maniçoba. 

- A carimã o cuscuz e a tapioca.

As espadas ao pé de Cruz

Antônio ou Almeida?

Esta questão não se coloca.

De São João que é frio

Ao petróleo que é rentavelmente quente,

Vou comendo camarão 

Lagosta e siri de mangue, e 

Sem esperar que ninguém me mande

Desço um litro de aguardente. 

Fico leve em São Braz,

Arretado em Maragogipinho,

Sonso na praia de Monte Cristo,

- Cabuçú, o que é que isso?

E sossego na de Encarnação!

Subo até Camamu

Desço cortando Dendê

Ponho tudo dentro do meu samburá

Porque na Boa Morte eu vou vender. 

Pra não dizer que só bato Candomblé

Jogo capoeira, me apresento pros outros, 

E faço verso para um qualquer...

Agora vou de vapor pra Faculdade.

Vender livro na feira de gente grande 

Enquanto chupo um rolete de cana

Esperando pra virar Doutor.

Retratismo ou Poesia?

O barro ou o caçuá? 

É fazenda ou é cozinha?

Beira de estrada ou pernas no mar?...


17 julho 2011

c.h.a.n.g.e.s.


V.e.n.t.a.,. .v.e.n.t.o.

Venta, vento venta.
E sinto um deprimente vazio! 
Como se não fosse obstáculo para o vento gélido e seco que me atropela. 
Rasga sem tocar. 
Esquece de pedir - invade, dilacera e segue. 
Como se entre eu o vento não houvesse mais cordialidade.
Ele não traz mais nada.
Eu não peço coisa alguma. 
Por que gritar se me sinto destituído de tudo. 
Quieto, apenas quieto. 
Sem forças para oferecer resistência. 
Sem qualquer condição de ouvir seu assobio. 
Assombroso ruído toma pé. 
Saio de mim 
e penso: 
Não sou pedra pois sou brisa!
E é apenas como se. 
Ainda se fosse algo oco e sem substância, deveria merecer algum crédito metafísico. 
Ainda estou aqui pensando. 
Pensando em como é ter as pálpebras fechadas.
Por que não deixo o vento me fazer flutuar ao invés de ficar sob ele. 
Seco a boca que pensa e dorme demais.
Mesmo que no vazio. 
Já disse:
é co-mo se!
Não é real. 
Não sou lágrima pois sou suspiro.

14 julho 2011

f.r.u.t.o.-.p.u.r.o.

Eis que surge um futuro.
Eu não lhe cuspo
Nem viro a cara
Ou arranco-lhe as vísceras.
Não sou seu parceiro,
Cúmplice tampouco...


Eis que surge um devir.
Não lhe entrego meus colares
Nem aceito qualquer disfarce...
Por puro ou desastre.
Não sou testemunha
Nem recebo o que ele traz à revelia.


Surge um 'de novo'...
Um mais novo.
Um outro
Que não pôde deixar de ser...


Eis que surge um futuro.
Não o como ou entrego
É fruto-puro
Que empunho feito a espada.
Esta que na experienciação do olhar
Nas lágrimas (e sorrisos) -  eu sigo a forjar.


Eis que surjo!

06 julho 2011

q.u.e.m. s.e. p.e.r.d.e.?

Quem se perde de mim,
Quem toma meu assento,

Quem se beneficia dos meus aposentos,
Quem põe minha cara ao relento?

Quem me lambe a nuca,
Quem me rouba a alma e me chama louca,

Quem troca o meu nome pelo da outra,
Quem se perde de mim?

Quem se perde de mim,
Quem me amordaça,

Quem me tira a alegria e me chama palhaça,
Quem me despedaça?

Quem é a mina em campo aberto,
Quem não me quer tão perto,

Quem é ele que, sem  mirar, eu acerto,
Quem se perde de mim?

Quem se perde de mim,
Não pede, não sonha,

Não transa, não morre,
Quem não vive mais em mim?