29 setembro 2014

O que existe?

era uma dia qualquer
com mais um cigarro qualquer
olhando pro infinito da crueldade de cidade dele
sem saber que era olhado por dois olhos lindos e curiosos
como todo homem sem jeito, ele fez a primeira grosseria
a Terra pararia se ficasse impune – ela tinha bom humor
adultos, na medida certa de uma adolescência,
são o nirvana do charme do flerte
até que os olhos finalmente se encaixaram
porque já tinham se acarinhado tantas vezes
mas ela não sabia que ele não existia
e ele a amou como se nada mais existisse
e ela lhe ofereceu o corpo, a vida, os filhos, todo o amor...
mais um cigarro sem sentido
se nem a fumaça poderia romper os grilhões, as paredes
Homens que não existem não deveriam fazer promessa
destroem a possibilidade de existir por si
e vão deixando de existir para o amor eterno que criou
Será ironia ou proteção
começar na inospitalidade e 
terminar na mais bela praia do mundo..
os olhos dele já não encontravam os dela..
o homem que não existia, sem amor, voltou a ter um corpo
depois de pedir clemência a Yemonja por não ter aprendido a coragem de amar

ela pegou um avião de papel e foi para bem longe do coração dele e da praia mais linda. 

Cante-me

ela sempre me canta
quando desabafa
me canta
quando conversamos
me canta
quando saiamos pra dançar,
na maior zoeira,
aí é que ela me cantava.
quando me diz verdades
me canta.
mas não é que ela me cante
é que os meus ouvidos foram programados,
e os resto do mundo da mesma forma,
(por Olorun, Deus Tupã...)
para que ela cantasse
docemente, mais ou menos, aos nossos corações
ela era minha Aninha
("A poesia não se explica, sente-se")
e de canto em canto
fomos cantar cada um no seu canto
até que numa festa de aniversário
sentada num canto,
sem vergonha alguma,
voltou a me cantar...
e não há felicidade maior
quando lembro que minha Aninha 
saindo ou chegando na faculdade, diz
- quero ser cantora!
e depois de tantas ventanias
denomina-se uma cantante

24 setembro 2014

Fantasia

esse era para você não ir,
não para eu encontrar rasgado sobre a mesa.
e aquela mala sobre o pufe ?
o que tem ali dentro, minhas vísceras? 
- você pode parar de andar pra lá e cá?
- seu hipócrita! Eu não vi você declamando pro Pedro ontem?
- meu amor, aquele bar estava cheio e lotado de você.
cheio do seu cheiro, da sua textura, até de mais motivo para declamar
não acabe comigo, nem sem arrependa
amor tem até maquilagem verdadeira
mas, cura, acho que nem é coisa de Deus...
Paulo, reconsidere sua fantasia
eu podia escolher qualquer pessoa ontem e acordar de malas prontas
sem perceber seu ciúme 
e deixar o criado-mudo sem um poema 
como estás a fazer...
se eu dormisse um pouco mais,
certamente teria o meu coração roubado por um tempo;
ouça, até vivemos sem coração por um tempo, por um motivo ou ainda uma razão ainda mais vulgar . 
pense, 
vamos tomar café
quem me ajudará a cuidar desse gato - esse bicho-teste do meu amor que você comprou?
mudando de gato...
sei que pode cuidar de ti sozinho, mas dá um prazer tão grande em cuidar de você meu bichinho. 
desarruma aquela mala agora, Paulo, e vem tomar nosso café - vou fazer aquele que sandwich você adora.
Agora, se em trinta minutos você não estiver aqui, pode levar meu coração - mais dias, menos dias ele voltará- ele não suporta lágrimas.

17 setembro 2014

Requentado

Por que tanta provocação
Se estamos agrilhoados ?
É para deixar meu corpo marcado pelas correntes
E o seu cada vez mais lânguido?

Se já tens alguém que não sei  como denominar...
Não serei o prato requentado da saudade

Escolhemos estar separados
Descer as alianças ralo abaixo 
Por que brincar de luxúria 
Se desejo vibra diferente de mente?

Não precisa sair correndo
Não existe vergonha entre nós
Só não existirá sexo
Porque amor fomos nos que escolhemos

Só para te lembrar, amor
Isso não tem nada com a orientação do Sol.

11 setembro 2014

Quando você volta?

Minha mãe é costureira
Meu pai é eletricista
Você lembra mesmo de mim?
Como perdê-la de vista?
Nossa, mas já faz tanto tempo...
Quem controla o tempo da paixão?

Sua blusa está aberta
E você já está sem camisa
É estarrecedor vê-la de lingerie
Você também não faz feio em minha mira
É doce tua pele? Você ainda joga?
Pra quem mora só, tens um canto que aprisiona.

Quando você volta?
Não me faça tais perguntas?
É importante pra minha vida
E você acha que estou brincando com a sua e a com minha?
Você não deveria ter feito aquilo
Eu nunca disse que não faria...

Dor e Silêncio

Meu telefone descarregava
Meu computador estava oco
Restavam as presilhas que tinham ajudado a forrar a cama
Um bilhetinho e um adesivo no notebook.

Seguia minha rotina trabalho – casa
Perguntava ao porteiro sobre visitas
Até que num ouriçar da minha pele
Soltei um grito:
Eu te amo, Gabrielle

E meu corpo inteiro se acalmou!
Jamais foi o mesmo
Mas de amor um pouco mais se aletrou 

08 setembro 2014

300 Postagens... Vida longa ao Blog !!!


Amor Amor Amor e + Amor
Obrigado, de verdade, à todos os leitores, leitores anônimos, comentaristas (são poucos mas agradeço assim mesmo), seguidores e os incontáveis amigos do Poesia e Outros Alívios... 




é onde eu poso ser eu mesmo, mas não conta pra ninguém!

Mulheres

São Dindis, Claudias, Helenas
Luizas, Beatrizes, Afrodites
Dorotéia, Julietas, Luchianas
Perséfones, Catarinas, Lígias
Simones, Yokos, Isoldas
Amélies, Scarletts, Guineveres,
Capitus, Diadorins, Nicetes
Hoje chorei bastante com algumas dessas mulheres
Nas vozes de Vanessa da Mata e Maria Bethania
Mulheres tão reais quanto meus sonhos
Ou quanto o piano de Tom Jobim
Ou mesmo a letra fria dos livros ou
A tela do cinema quando me envolve
Feito um edredom em noite de muito frio. 
O amor já pode ser real na primeira linha escrita
Foi feito pra isso para explodir em supernova
Não importa o culpado
Se Deus ou Machado de Assis
Eu descobri pra que serve o amor
Para me arrancar lágrimas como que cheira a pétala de lírio
Fiz essa descoberto na clausura
Sem qualquer vírgula
Sem qualquer droga, e o melhor,
Sem qualquer pessoa...
Só para lembrar que João Guimarães Rosa 
Já sabia que o amor é plural. 

05 setembro 2014

Roma

Nova que que passa distante
Com um amor calado 
Impossível como os ritos de serem revelados
Mas também é como quem faz compras
E é preciso durar um mês - o tempo de se engolir alguém
Fora isso é aventura
É o pão,
É cheiro verde
É a manga
São todas as outras frutas da casa...
É dupla jornada
Filhos, casa e casamento
Jardim, vizinho, 
É dinheiro pra festa
A lingerie nova
Pode tudo ser imaginação minha
Mas pode ser tudo burocrático



Aí salve até o Porto da Barra.

02 setembro 2014

De mansinho.

Despir-me por você 
Era questão de mínimos minutos 
Nada era necessário
Mas com a música certa podia ser arriscado...

Despir-me era invadir, ter olhos
Em segundos saber o ritmo de seu coração 
Pra isso nada era necessário
Delicadeza nas mãos...

Despir-me era morder de levinho teus lábios 
Num golpe mágico ter certeza da sintonia
O melhor do amor é saber certo
Daquilo que arrogantemente se desconfia.

Despir-me é me arrancar ... É mais que ficar nu!
É deixar que somente você veja minha humanidade
Na rua, no restaurante, na cama, no sexo feito em qualquer lugar e hora! 
Nas nossas escolhas não se anda de mansinho.
ॐ Décio Neto