15 dezembro 2010

g.a.v.i.ã.o.

Como um pássaro
não numa gaiola
mas no parapeito
no para-inferno
e não pára de pensar 
                                          [de dentro].

Como um falcão peregrino
de olhos fixos e atento
na sua presa
na sua pressa
de caçar o futuro de cima.

Como um corvo
vendo a sobrexistência em potência
andando nas ruas
dentro de eficazes armadilhas
na chuva que cai
                                             [de fora]

Como alguém que não se vê
e fita a alma irrequieta
em suas labaredas...
o nome que me chama
e ouve de longe uma voz

[que ao corpo chega por cima]


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