16 agosto 2015

Viva ao rei!

Quando se deitam, final, os mortos
Os rotos objetos caem da minha altura 
Cessam reminiscências e projéteis 
Na espiral que me mantinha torto 

Quando se deitam, final, os mortos 
Uma clareira se abre na perspectiva 
O primeiro se identifica com os demais 
E a turba de iguais me arranca do conforto

Quando se deitam, final, os mortos
Os cordéis do títere são expostos   
E é possível ver atrás do espelho
Desejo minha vontade sem esforço 

Quando se deitam, final, os mortos 
Estes vívidos brilhos de outrora 
Não mais se manifestarão sem outorga
No auto de resiliência que transcorro

Quando se deitam, final, os mortos 
A culpa some e tudo é novo 
Um frescor nas veias [tudo é novo]
Os olhos se abrem... do mar ao porto. 

12 agosto 2015

Embriaga

A sua voz me embriaga
Enche meus poros de sentimentos 
Confunde meus órgãos 
Faz-me flertar com adagas 

É uma algazarra de estímulos 
Quando vejo já deixei o chão 
Quando sinto há muito estou entregue
Quando falo nem pareço tão tímido 

A sua pele me embriaga 
Passo com veludo na voz 
Meus pensamentos caem como seda
Na lâmina afiada que me afaga

Uma devassa nos meus sentidos
Se ouço não posso tocar
Sinto o cheiro e não é da mesma cor
Dos lábios que me deixaram aturdido.

O seu espírito me embriaga
Preenche a tela com falsetes 
Você cria jeito, força e modo 
De arrancar de mim o que me agrada

Você me embriaga
Eu lhe oferto amplidão. 

07 agosto 2015

Dos danos.

Depois dos danos morais 
Colho, impiedosamente, o dano astral.
Devolvi minha alma...
Hoje não tem sol para os irracionais.

Os signos, os signos, os símbolos! 

Se o erro do cálculo jaz em si mesmo, 
É nesse risco que se dará a ampliação.
Se "fazer o incauto" pode te levar à loucura, 
Fazer o pragmático não me livrará do alçapão. 

As tramas, os dramas, as sombras humanas! 

Misantropo, alguém grita. 
Petulante, outro sussurra pelos cantos da boca. 
Olho pra baixo e tento ver de onde saíram... 
Mas é só meu acervo de máscaras delirantes e vozes roucas 

As personagens, o coro, uma tragédia! 

Depois dos danos morais 
Aceito, miseravelmente, o dano cerebral. 
O amor é um cão dos diabos, disse Bukowski,
Nunca desalinha, o papo é reto e a flecha é capital. 
 
As construções, as elaborações, uma dúvida!