18 junho 2008

Held, 2008/Jun

Estou aprisionado,
trancafiado em pensamentos nulos,
ignorado por meus pajens...
Destruído - em fragmentos loucos
que só gritam, gritam e emudecem:
como o choro desesperado em plena avenida às seis da tarde
ou a chance de reviver na iminência da morte atéia.

Estou triste...
Todos os olhos se tornaram foices
que lascam, roem, cortam e lascam e roem e cortam.
Minhas palavras não me protegem,
minha língua não me basta.
Todos estão contra
e eu estou preso...
Preso em mim,
Preso por mim a ti.

Olho e não rezo!
Perco-te. Não presto!

02 junho 2008

Linhas, 01.06.08

Aquela senhora pensava
amarrava a mesma linha verde de sempre
como quem amarra as memórias
de um dia de trabalho e uma vida de nós

Falou-me de suas inspirações
limitadas pela falta de estímulos
Pensei numa explosão criativa
escondida entre o espírito e a agulha...
e o dedos

Pedi para ela um sonho
ela negou...
Pedi que sonhasse
ela retrucou...
Pedi que fizesse
ela prontamente sorriu.

Cada nó na linha verde era um filho
um neto, uma aspiração, um desejo, uma tristeza
Cada movimento da agulha
era uma estocada na vida e um afago na incompreensão.