27 fevereiro 2011

e.w.é.

Depois de uma profusão de poesias que nada diziam, que só tinham como destino

despir-me, fez-se silêncio em meu coração, acalmou... serenou a angústia por

querer - o não-sei-quê que viria de um não-sei-quem. anestesiei. dàgìrì dobo.

acalmei meu ori - até então. quando não há lá fora, não há o que se perder aqui

dentro. tenho fome de mim: estou comendo as palavras que outrora me 

machucavam e agora afagam meus instintos. a jornada do retorno a realidade. 

axé. 


22 fevereiro 2011

l.á.g.r.i.m.a.s.

Não sei porquê a lágrima não desce se
já machucou o espírito e atravessou a alma
inundou os neurônios e correu pelos capilares...
cristalizou-se, machucando os olhos, 
na sua frente

Não sei porquê não escorreu em minha face
tão acostumada a trilhos salgados e gotas displicentes
Tão emotivo... hoje demasiado encarcerado
alheio ao acreditar, ao querer, 
ao te ver sorrir

Não sei porquê a lágrima não apeia do fundo
Se os vinhos estragaram, os cálices estão sujos
o lençol está puído e roto – sem calor ou doçura
e há muito que não reconhecemos o que é espelho

Não sei porquê a lágrima – uma só
não se vai e me tira dessa angústia
Não desce e, à medida que caísse, dar-me-ia um nome
ao que me tiraste quando apenas lhe havia emprestado.

17 fevereiro 2011

é.g.o.ï.s.t.e.

Quero
Eu o quero
em grandes saltos
passo a passo
num mergulho profundo
sem segunda chance.

Quero
Eu o quero
para que me deixe livre
no olhar descuidado
em gesto programado
para não me tirar do alcance.

Quero
Eu o quero
desprendendo-se do tempo
acostumado com nosso suor
com a guerra e as flores que trago
dentro do mais ligeiro relance.

Quero
Eu o quero
mas esqueça o romance.

11 fevereiro 2011

r.e.q.u.a.l.q.u.e.r.c.o.i.s.a.

você me faz parar 
como quem fia
recria, alinha
a linha que me guia
já fez tanto pensar
gravar, acumular
como quem toma nota
para se fazer notar
refia
retalia
retina
recomeça
a pousar numa sombra
onde as contas não se espalhem
onde o amor não se repare
ou por nós desfie.

04 fevereiro 2011

d.e.n.g.o.

Estou apaixonado
de novo
do nada
caído
doído
vibrante
estou em braços amantes.

Estou vivo
como o amor
com desejo
ardente
pulsante
dedicado
E por mim sou amado

Estou vivo por estar apaixonado
e assim estou por te ter
por ti, correr
para ti, versar
cantando
recitado
Estou pronto para o dengo prometido

e já declarado.