30 junho 2009

Partindo II



não percebia porquê fugia
apenas corria, demasiadamente corria
corria de mim, dos sonhos, do espelho
da calmaria e do susto no banheiro

fugia, calava - calado
até os olhos ficarem mudos
na guerra silenciosamente travada
nas entranhas do que me deixa em silêncio

rodopiava feito uma bailarina sem pernas na própria arena
onde mal podiam passar os sonhos ...
eu não sufocava, mas era inútil correr
eu não sabia nem por onde começar a fugir

rodar, radar, pensar, rodar
ficar, rodar, respirar... sei lá!
na mente de quem foge
só importa não parar para falar.

p.a.r.t.i.n.d.o.


já não sou poeta
quebrou-se algo na altura dos dedos
e, sem ver a brecha,
saí do céu sem tocar a terra.

tenho apenas uma caneta
deixei de sentir o rio...
fiquei tanto tempo sem olhar para mim
que me acostumei com o espelho vazio
talvez ser bardo seja ser o próprio espelho
- faça um verso para não esquecer
- faça um pedido que possa merecer
escrever o que atrair o olhar

falta de versos - espelho morto
falta de sono - pensamento absorto
como tornar familiar o papel em branco
sem pensar no primeiro olhar para o mundo das pessoas?