20 novembro 2017

¡Aquí me quedo!

Nesse chão
De terreno criativo
Abençoado por deuses
Aqueles mais antigos
Glaciais desde o início
De asas tão enormes
E silêncios gelidos
Que me fizeram respirar,
Em comunhão, pela primeira vez.
Descanso minha história e vejo
Detalhes imperceptíveis
Como todos brancos da neve.
Aqui,
Revejo decisões
Acalmo angústias de homem,
De pai, que tenta ser crente e gente
Nos rastro de pumas, vulcões e cobre.
Mais de 12.000 anos de história.
Quase 39 no corpo
Menos de 15 na pele
E são 16 °C de beleza e emoção 
Enquanto maltrato o espanhol.
Na terra de Mapoches, quéchuas e tantos
Vou redescobrindo ancestres milenares
De museu em museus, de bar em bar.
Bem, nem tudo que é belo é singelo
E Santiago me deu asas e calos.
Santiago tem cheiro,
De flores,
De montanhas,
E gosto de cabernet e caminhada.
Além de Marijuana e Morfina - não é, Pablo?
Enquanto ouço os canhões
Que sujaram sua alma, Moneda,
Com o sangue do camarada Allende,
(Irmão doutor e seu final atraiçoado
Pelas hienas velhacas da Armada),
Subir e descer os cerros
Trotar degraus
Mirar a cerca alva dos Andes
É como cambiar matéria e infinito.
Uma oração,
Toda absolvição
Transcendendo sujeito em energia
A saga inversa de Augusto a Salvador
Adoçada por arte em toda parte e
Músicos e seus amplificadores de anseios e sons.
Violão, sax e rap
Se misturam à educação e à rebeldia chilena.
Santiago é um acervo
Tradição, pop, cult
Uma escola com partido e vida
Da inundação de informações
À perplexidade que nos toma e emociona
Pelos muros, esculturas e outdoors.
Um brisa me captura
Ferve meu sangue
E atiça meus pelos
É ela que canta, a mesma língua de minha terra,
Entre albatrozes e pelicanos
Surgem, também gélidas,
As mãos de Yemonja
Abençoando meu corpo pelos pés.
De outro nome a outro sonho,
Me batizei no Pacífico de Viña del Mar.
De Neruda a Castro Alves
Esse Deus alado me acompanha
Nas asas do condor fiz minha solitude
Minha formação, minha transformação, minha transtudoessência.
Décio Plácido Neto, 20/11/2017

14 maio 2017

Além da dança.

Te conheci ao te ouvir 
Te desejei na invasão da tua voz
O reconhecimento veio ao tempo da fala
E a vontade trouxe uma longa espera

São alguns dias, e outros anos
Já passamos por nós dois
Já vivemos aventuras devaneiantes - amores e flores
É-nos familiar o amor-fati e Eros e thanatos

Vejo-a nas danças de Giselle
Te imagino vestida de palavras
Faço coro com Albrecht - da Silésia - da cochia
Te leio em noites insones

O teu sorriso parece um convite
A tua elegância é uma inspiração
Identificado, fisgado, impulsionado
O ballet de imagens e a música que te apresenta 

Que as virgens mortas não te levem
Que o meu olhar não te interrompa
Que o meu túmulo esteja em tua voz
Para que nós renasçamos em todo enunciado

19 dezembro 2016

Esperando o meteoro,

O pouso dos ETs, 

O bico do corvo...

A vida em degradê.

Sem tanto abalo.

Sem saudade.

Sem os mesmos clichês. 

Esperando do céu 

O agourento e o redentor.

Para findar o amor,

a casa de vontades e 

A incerteza fria da colisão, 

Nessa vida de imitação.

Sem ser cadente.

Sendo ardente

Que extirpe alma démodé. 

31 outubro 2016

Adormecer do caos

Em silêncio 

Devagar, não, bem menos pressa 

Foi assim que ela me assaltou 

O sopro num olhar 

Inflou meu peito sonolento 


Doucement 

Em gritos que não arranham ouvidos

Foi que me vi agarrado a ti 

Dançando, recitando, compondo sem músicas 

E distraído ao ranger de portas da manhã 


Em silêncio 

Detive-me 

Era medo 

Já chegara o hora

D'onde não se volta sem chorar 


Doucement 

Invadimos os portões 

Forjados por Eros. Se voltássemos, Hades ...

E se estivéssemos juntos

Não haveria caminhos pra evitar 


Em silêncio 

Vi tudo ser levado pelas mãos 

Vimos tudo ser colocado em seu lugar 

Era tão diferente do que já fora 

Que sorrimos para um reflexo do que agora é.  


Doucement

Foi-se ecoando o silêncio. 

16 setembro 2016

Percurso

Analisando
Fatiado em significantes
Falado aos ventos
Remontado sem os devidos encaixes
Fez-se o silêncio em contraste.
Repetido
Preenchido de sentidos
Vestido em interpretações
Impelido para que me ache
Fez-se a dor por indulgência
Hora de (des)falsear

Sonhando
Em rincões recônditos
Livremente associando
Para livrar a fantasia
Recordando
O que jamais foi dito ou atacado
Elaborando
A troca da pele da carcaça

Analisado
Deitado em significados
Reativo, retalhado
Falhado nas cadeias, nas palavras
Fez-se a fuga para outro de mim
Repetido
Combalido a lei
Entre tantas petites morts
Um sonho em relâmpago
Um sinal esmaecido - valentia no andar

Sonhando
Comportamento cabotino de lá
Livremente associando
Um fluido ainda denso, alvo, viscoso
Recordando
As horas, as ruas, as aquarelas
Elaborando
As muletas de fazer e de tropeçar

Analítico
Com a cabeça empalada
Atravessada a transferência
Viu algo para se apoiar
Repetido
Cansou das mesmas ervas daninhas
Dos incansáveis replantar
E da falta que a falta não fazia.
(Des)mistificar

Sonhando
Em satisfações agressivas
Livremente associando
Pôs de lado os grilhões 
Recordando
Que já era algoz antes de vítima
Elaborando
A magia de só ter uma vida

15 junho 2016

Arrodeio

Tergiversando com o amor
Comportamento nada auspicioso 

Flertar com o fogo e a dor
Descabimento ou fingimento ardiloso

Se nele reside o cão 
Por desfaçatez não me agacharei 

Intempestivo é o momento vão 
Consciência pressionando o que já sei. 

Mas se dou de ombros  
Sem voltas ou ardis 

É no calor e no assombro 
Que me ergo do poço infeliz 

Quanta mentira diz quem ama
Quanto de tudo é de se provar 

Aquele que já era velho na última semana
Na cama caiu e disse: - Vou aproveitar

E delimito aqui meu terreno
Te demito do meu embaraço 

Viver é ser, sido, sendo 
Sem registro, sem calhamaço 

Amor é correnteza de rio sem foz! 

08 junho 2016

Preciso de um Bolero
Daqueles de meu Recôncavo 
Para trocar os óculos 
Já moídos 
Por ósculos 
De causar estrondo 
Pois La Belle de Jour,
Coisa de grande poema, 
Vale mais em meu Nordeste 
Que Tereza da praia 
Ou Garota de Ipanema!