15 junho 2016

Arrodeio

Tergiversando com o amor
Comportamento nada auspicioso 

Flertar com o fogo e a dor
Descabimento ou fingimento ardiloso

Se nele reside o cão 
Por desfaçatez não me agacharei 

Intempestivo é o momento vão 
Consciência pressionando o que já sei. 

Mas se dou de ombros  
Sem voltas ou ardis 

É no calor e no assombro 
Que me ergo do poço infeliz 

Quanta mentira diz quem ama
Quanto de tudo é de se provar 

Aquele que já era velho na última semana
Na cama caiu e disse: - Vou aproveitar

E delimito aqui meu terreno
Te demito do meu embaraço 

Viver é ser, sido, sendo 
Sem registro, sem calhamaço 

Amor é correnteza de rio sem foz! 

08 junho 2016

Preciso de um Bolero
Daqueles de meu Recôncavo 
Para trocar os óculos 
Já moídos 
Por ósculos 
De causar estrondo 
Pois La Belle de Jour,
Coisa de grande poema, 
Vale mais em meu Nordeste 
Que Tereza da praia 
Ou Garota de Ipanema! 

04 junho 2016

Ruptura

As estrelas são mestras no pique-esconde 
Com todo seu tamanho
Cabem ou descabem em lembranças 
Do recordante ou de quem lhe aponte... 

Se o copo está cheio de escuro
Culpado e reculpado também é o astro rei 
Que solene deixou-se vencer
Pelo moleque apostador de futuros

Mas se a ampulheta fulgura 
Culpado e tresculpado é o menino mascate
Que não soube ver a hora passar 
E prendeu a luz em sua frouxa ruptura 

De achar aqui e perder ali 
Vão-se puindo as fibras das vestes 
Incauto e perigoso negociar recordações 
Mesmo que das mãos das vestais. 

Ainda brinco de contar estrelas para me contar histórias.