11 outubro 2008


Parecia
Parecia que era dia
que o Sol queimava, que a pele ardia
que havia luz, que nada doía...
Parecia que me amava, 
que nós queríamos.
Só parecia.
Chega a noite, ainda que vazia
cheia de gemidos...
de tremores.
Ainda era pouco para o que parecia
já não sabia das mãos quentes
do encontro na cozinha
das coisas que ferviam...
do dia que novamente amanhecia...
Só parecia. 

15 agosto 2008

Buscadores

não posso colher teu beijo
nem sentir a brisa dos seus braços
quiça a loucura de tuas mechas louras
no sonho que alimento enquanto corro

quero vestir-me com teu cheiro
e provar da doçura que te adormece
ler apenas o que dizem seus dedos
no distraído dedidlhar do instrumento que me faço

não posso ter teus beijos
mas cantarei com dó maior
as fantasias que fiz, faço e sublimarei
enquanto não ouvir o som dos teus passos voltando

Para que encontros desalmados......

18 junho 2008

Held, 2008/Jun

Estou aprisionado,
trancafiado em pensamentos nulos,
ignorado por meus pajens...
Destruído - em fragmentos loucos
que só gritam, gritam e emudecem:
como o choro desesperado em plena avenida às seis da tarde
ou a chance de reviver na iminência da morte atéia.

Estou triste...
Todos os olhos se tornaram foices
que lascam, roem, cortam e lascam e roem e cortam.
Minhas palavras não me protegem,
minha língua não me basta.
Todos estão contra
e eu estou preso...
Preso em mim,
Preso por mim a ti.

Olho e não rezo!
Perco-te. Não presto!

02 junho 2008

Linhas, 01.06.08

Aquela senhora pensava
amarrava a mesma linha verde de sempre
como quem amarra as memórias
de um dia de trabalho e uma vida de nós

Falou-me de suas inspirações
limitadas pela falta de estímulos
Pensei numa explosão criativa
escondida entre o espírito e a agulha...
e o dedos

Pedi para ela um sonho
ela negou...
Pedi que sonhasse
ela retrucou...
Pedi que fizesse
ela prontamente sorriu.

Cada nó na linha verde era um filho
um neto, uma aspiração, um desejo, uma tristeza
Cada movimento da agulha
era uma estocada na vida e um afago na incompreensão.

22 maio 2008

Fantasmas, 22.05.08


Carregue água em cesto de palha;
pentei-se com as garras de uma leoparda viva e faminta;
conte o infinito de suas dúvidas e
curve-se ao rigor do desejo.

Faça brotar amor num parque industrial;
seu computador livrar-te da insônia [e da solidão]
sua agenda valer qualquer centavo
para não ceder ao imperativo

Esqueça que um dia foste diferente
e que, talvez, fosse menos triste
mais livre, menos amparado, menos receoso da outra calçada...
Esqueça de mudá-los... fazendo-o somente e solitariamente

Carregue sonhos em cestos de nuvens
Corra para a praia de tua a vida
distribua amor e sorrisos sob o sol
e molhe-se com a água que jorra rapidamente sobre sua fantasia.

19 maio 2008

written, 14.05.08

Escrever algo que valha,
que traduza o imenso esforço de uma alma
e liberte-a da inconsistência,
da disforme existência do querer.
Querer sempre!
Sempre o infinito do possível -
isto quase sempre
postergado.
- Um brinde ao nosso
inalcançável.
Escrever a própria libedade,
símbolo de quase toda tristeza...
Esta que tem a totalidade na luz
e se finda quando já não há mais estrelas.
Faróis,
caminhos e nortes...
Mas relutam em ser penas
para que eu mergulhe no tinteiro do meu corpo
e delinei os traços de minha amplidão.
Escrever algo que valha,
não na imortalidade
nem tampouco para as possibilidades,
mas algo que possa chamar-se eu.

15 maio 2008

Dançar, 01.04.08


Morte que cala almas vivas.
Sedentas em reviver palavras,
da mesma forma, ávidas por vel
hos desejos
que, àquele tempo, suportou o próprio respirar.

Morte que trancafia corpos ágeis.
Ansiosos por mais uma vez dançarem-se

e, numa reciprocidade, odiar-se-amarem,
bus
cando frestas simétricas corpóreo-energéticas.
Vida que,
em si, é quase morte.
Morte
que, em plenitude, é totalmente vida,
tendo esta como passado e,
mais uma vez, porvir circularmente.
Vida de corpo, morte e alma,
Imobilizada, ao seu tempo, por palavras,
[desejos e danças,
Experimenta liberdade e expressividade no fim -
Com a vida que é sonho que é morte que é desejo
[que é dançar.




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