28 agosto 2009

Alma!

Casual

lembranças do não
do café do rádio do televisor
da porta sempre fechada
do primeiro amor no chão

lembranças do não-dito
do corpo nú no espelho
da flor deitada no travisseiro
dos bilhetes e da chave do banheiro

lembranças
- já foi esquecido?
do que permanece ignorado
do amor ameaçador
que persiste em ficar...

encontro casual
casualmente esquecido. 

23 agosto 2009

t.o.c.a. r.a.u.l.


"Toca Raul!" ouve-se, quase sempre, em uníssono em festas da capital baiana. Talvez seja pilhéria, desrespeito com o cantor ou simplesmente vontade... Mas certamente é um elogio pelo ataque, invertendo a lógica - Raulzito era mestre nisso. Novos conceitos, novas moscas na sopa, novos mundos, novos Pedros, velhas viagens no mesmo caminho. "Há muito tempo atrás na velha Bahia..."fazia-se tão bom Rock 'n Roll quanto o legado deixado. TOCA RAUL!!!!!!!!

22 agosto 2009

Eu e meu filho!!!! Eterna parceria. Continuação...não sei de que ainda, mas há de haver algo. Nesse sorriso feliz, nesta paz, neste impulso pelo descobrimento, neste meu bom-dia ao Universo. Nos primeiros passos, no primeiro "pá pá pá pá", na reorganização dos espaços para ele; na minha vida que volta a ter sentido. Eu te amo, Ulisses.

14 agosto 2009

Grito Surdo

há tempos calado
insaciavelmente mudo
sem teto ou desejo
pele ou beijo, ou tudo...
.
.
"cale-se" dizia
"ouça" outra coisa
não se permitia
nem dava qualquer trela
.
.
escrever tornou-se
tão dramático quanto
uma faca cega (e muda)
empobrecendo o corte
.
.
calado como a máscara
pendurada na parede
do quarto do fundo
como agonia do espírito
.
.
há tempos
sem falar ou (d)escrever
sonhos ou idéias
casinha-de-boneca ou caos.

06 agosto 2009

Pandora

quero te ver, meu amor
sentir o calor dos teus sussurros
a força dos teus braços
enquanto me envolvem na insanidade do amor

seus olhos ainda estão no meu espelho
refletindo toda a sua alma e dor
que ficam impregnados em mim
quando começo a pensar em você

provoque-me com teu jeito manso
enlouqueça-me com a tua audácia
- chamando meu nome quando passo por ti...
...revirando os olhos, fitando o próprio corpo

quero te ver, meu amor
tocar outra vez a caixa de Pandora
santuário pleno de tua beleza e
claustro balsâmico do meu coração - já cansado.

05 agosto 2009

Abusa-me

abusa-me este desejo
que se marca e se apresenta
desenhado em meu corpo
mas, como uma obsessão pétrea,
prende-me frente ao verso do espelho

a sabedoria de lidar comigo
tão esmiuçada e explicada
(meus pares sabem muito!)
surpreende este interregno que sou
- não sou isso nem mesmo aquilo.

que saber-(me)se é este?
que, em verdade, falha 
esquecendo do corpo e do sangue - do concreto
- só existe frente aos teus olhos infantis
digo, num desdém às impressões

será que não veem o excesso de máculas?
quando elegeram, instituíram
cicatrizes e arranhões como prova?
- eles (meus objetos amorosos)  não leem meus meus olhos!
de tanto que a mim se voltaram.


04 agosto 2009

á.g.u.a.

não há água que chegue
p'ra boca que seca
amor que não presta
mão que (não) se eleva
amigo que entrega
parente que não pega
inimigo que reza

não há água que chegue
p'ro sono que faltou
no pranto rolado
no desejo falhado
p'ra ansiedade que chegou
no beijo não roubado
p'ros pensamentos truncados

não há água que chegue
p'ra saúde que espera
humor que tolera
saudade que exaspera
no peito que acelera
- pois já é noite, quem dera?
-nas fotos ainda é primavera!

não há água que chegue
p'ra caos formado
p'ro mesmo amor em pedaços
- saia, deixe de estardalhaço!
p'ro sonho já cansado
- disso, só estilhaços!
para a lágrima do palhaço

não há água que chegue
p'ra ferida do espírito
p'ros moinhos de minha paciência
p'ro salivar
excitar, engolir e permitir
para mim e para você
para desfazer o que não foi feito!

salve "as-águas".