11 abril 2010

Domingo

Falar do domingo é um clichê: véspera de segunda, da preguiça, dos encontros indesejados, das rotinas cansadas... mas não exatamente disso que quero tratar (se é que quero teorizar sobre algo).

Muito pior que o domingo é um dia vazio. Sem sentido, sem vontade ou livros ou filmes ou sexo ou risadas ou discussões – até mesmo sem alguém só para brigar. Que tal um personal fighter ou um personal lover? E quando damos “bolo” em nós mesmos em pleno domingo? Que dizer?
Tudo bem! Chove. Chove muito. E nestes últimos dias a Natureza disse: quem manda sou eu, segurem-se como puderem!
Não sei se atribuo ao cinza do dia ou ao humor em preto e branco esta sensação de tristeza oca que me assaltou (sem qualquer relação dominical (?)), tendo em vista que há sempre um conteúdo no estar-triste; basta procurar que lá achamos – mas está é do inominado. 
Hoje o dia foi na cama, olhando para o computador que deu pau. Formatar, instalar, configurar, voltar a usar... porre! (coisa abissal, diria uma amiga).
Tive um lampejo de luz quando fui ao supermercado com meu filho e minha ex-mulher (ainda não viramos a cara quando passamos pelo outro) – coisinha rápida, nem uma hora.

“Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar
E não me volte a cara quando passa por si
Nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor
Fiquemos um perante o outro
Como dois conhecidos desde a infância
Que se amaram um pouco quando meninos
Embora na vida adulta sigam outras afeições” F.P.

Voltando ao meu filhote: que sorriso lindo ele tem, quão carinhoso é. Acho que é dele (sei que não deveria ser assim) que vem a vontade/necessidade de continuar nestes dias “desprodutivos”. Mas quando ele vai embora a fenda da vida-morte cresce exponencialmente. 

Enquanto desabafo, escuto Cordel do Fogo Encantado e Carlos Barros e Banda do Céu, que carinhosamente colocou meu nome nos agradecimentos do seu novo CD. 
O pior é que nestes últimos dias há tantos domingos durante a semana.

Um comentário:

Nayara disse...

Sim..as coisas abissais teimam em nos assolar, não é? Mas será culpa das coisas, ou da nossa extrema sensibilidade que insiste em nos manter em permamente estado de carne viva a ser cutucada?

Que os domingos possam ser mais raros...

Um bj!