24 setembro 2014

Fantasia

esse era para você não ir,
não para eu encontrar rasgado sobre a mesa.
e aquela mala sobre o pufe ?
o que tem ali dentro, minhas vísceras? 
- você pode parar de andar pra lá e cá?
- seu hipócrita! Eu não vi você declamando pro Pedro ontem?
- meu amor, aquele bar estava cheio e lotado de você.
cheio do seu cheiro, da sua textura, até de mais motivo para declamar
não acabe comigo, nem sem arrependa
amor tem até maquilagem verdadeira
mas, cura, acho que nem é coisa de Deus...
Paulo, reconsidere sua fantasia
eu podia escolher qualquer pessoa ontem e acordar de malas prontas
sem perceber seu ciúme 
e deixar o criado-mudo sem um poema 
como estás a fazer...
se eu dormisse um pouco mais,
certamente teria o meu coração roubado por um tempo;
ouça, até vivemos sem coração por um tempo, por um motivo ou ainda uma razão ainda mais vulgar . 
pense, 
vamos tomar café
quem me ajudará a cuidar desse gato - esse bicho-teste do meu amor que você comprou?
mudando de gato...
sei que pode cuidar de ti sozinho, mas dá um prazer tão grande em cuidar de você meu bichinho. 
desarruma aquela mala agora, Paulo, e vem tomar nosso café - vou fazer aquele que sandwich você adora.
Agora, se em trinta minutos você não estiver aqui, pode levar meu coração - mais dias, menos dias ele voltará- ele não suporta lágrimas.

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