29 setembro 2014

Cante-me

ela sempre me canta
quando desabafa
me canta
quando conversamos
me canta
quando saiamos pra dançar,
na maior zoeira,
aí é que ela me cantava.
quando me diz verdades
me canta.
mas não é que ela me cante
é que os meus ouvidos foram programados,
e os resto do mundo da mesma forma,
(por Olorun, Deus Tupã...)
para que ela cantasse
docemente, mais ou menos, aos nossos corações
ela era minha Aninha
("A poesia não se explica, sente-se")
e de canto em canto
fomos cantar cada um no seu canto
até que numa festa de aniversário
sentada num canto,
sem vergonha alguma,
voltou a me cantar...
e não há felicidade maior
quando lembro que minha Aninha 
saindo ou chegando na faculdade, diz
- quero ser cantora!
e depois de tantas ventanias
denomina-se uma cantante

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