22 maio 2016

 

Reflexões dominicais. 

"O meu egoísmo é tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar" 
Raul Seixas  

É muito importante servirmos uns aos outros. Há quem diga: quem não vive para servir (a uma causa, a um projeto, a um amor, etc., etc. e etc.), não serve para viver. Duro isso, mas uma afirmação romântica também. Mas como acontece com todos os adágios, precisa-se que seja relativizado de alguma forma (afinal, são pouquíssimas as verdades absolutas). 

Quero ser carpinteiro de mim apenas. 

O desejo de servir, de dar atenção, de estar disponível, de ser lugar-tenente, de não piscar os olhos, não deve ultrapassar os nossos próprios limites, nossas dores. Quem nos ama de verdade, sabe disso. Sob pena de nos exaurirmos em todas as dimensões humanas - correremos o risco de nos tornamos seres patéticos em busca de uma perfeição puramente idílica e neurótica. Um esforço hercúleo, sobre humano, que oprime tanto os companheiros de causa, de sonhos, ou nossos pacientes. Adoro a metáfora de Dom Quixote de Cervantes. Quem não nos ama, estará pouco interessado. 

É estruturante saber que somos imperfeitos, cheios de furos e falhas (diferente das falhas de caráter, tá?) - e que não daremos conta de todos os encaminhamentos, que esqueceremos, que atrasaremos, que cansaremos, que teremos preguiça... Que temos limites. 

Ninguém está nessa vida para reviver o titã Atlas, com o castigo de Zeus sobre seus ombros para sempre. 

Tenho asco, digo, cansaço de quem se propõe apenas à perfeição das ações, ao invés da perfeição da consciência da alma. 

Para os que acreditam em Deus, penso que acreditam que, apesar do livre arbítrio, algo já está escrito ou determinado. Portanto, não é muito sábio tentar barganhar ou ludibriar o deus que lhe anima. 

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"Quem, de boa fé e com sinceridade, cultua outros deuses, por não me conhecer, o Eterno, este me cultua, e o perfume do seu sacrifício sobe ao meu trono, e eu o aceito." Krishna

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