14 julho 2015

MVD

Ele me ofereceu o seu melhor doce de leite
No ponto certo e em panela trabalhada. 
Levou-me a shows de candombe e outros folclores... 
Irretocáveis - como a "uvita" que lá era servida. 

Levou-me ao carnaval, ao circo, aos museus;
Tirou todas as fotos, enquadrou-me cirurgicamente. 
Tudo nele era esvoaçante, sonoro, delicado, brutal e imperfeito,
Mas seu colorido era triste e .... era mais do mesmo. 

Como isso me cansava. 

Eu suportava o frio com minha camiseta de flechas, 
Mas não conseguia aquecer a alma desejosa; 
Ele me trazia tudo escrito e apontado nos mapas, 
Apenas para que dele me afastasse, mas nele me perdesse. 

Era a carne que eu queria - desde o início.  
Não a melhor, todavia, a mais tenra 
- afinal, eu estava num país de muitos rebanhos,
E ele me oferecia meros chivitos sem consistência. 

Será que isso também o cansava? 

Levou-me também a feiras e mercados
Igrejas e mirantes e belos prédios e campeonatos. 
Eu já não sabia o que era da viagem...
Eu já na sabia o que em mim dele começava a se despir. 

As folhas no chão também me deixaram confuso: 
Estava em Montevidéu ou tinha descido em Quebec? 
Era o anúncio, a profecia, o vaticínio que, 
De todo modo, nada passaria de semblante. 

Por supuesto que me hace cansado!

Até o Sol de sua flâmula; 
(Até isto!) Deitou sobre minha mesa de avidezes! 
Como é traiçoeira a alma sedutora, 
Como é acertadamente displicente o incauto! 

Á, Uruguai, de tantas ramblas, que me encantou, 
Que se fez apaixonar ainda no Brasil,  
Foi me dizer tão longe o que de perto já presumia: 
Que tudo o que restaria seriam as lembranças incitadas por Morfeu.  

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