08 abril 2015

Parteiro

 Todos nós carregamos algo do passado...
Uma unha encravada, um olhar desviado, o nome não pronunciado
Um mosquito a perturbar de noite. 
Temos, todos, uma neurose ou outra, 
Um quê de clichê - de humanidade. 
Mas poucos se deparam com o fim da taça, 
Com a roupa já velha no armário... 
Se importam com abraço frouxo ou
Se rebelam contra a própria chatice! 
Menos ainda têm a gana indomesticável de parir de uma vez o que passou
- Num movimento de expulsão interior, 
Como uma bomba de rosas-sem-espinhos:
Calados no útero da história e 
Aprisionados no cordão umbilical.
Deixando o passado livre no mundo
Mas sabendo que ele é a única língua compreensível no porvir. 

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