19 julho 2009

Percebi a noite

percebi, outra vez, que era noite
noite sem sombras nem desejo
gritos ou sussurros já haviam calado
percebi a noite como um exaustivo espelho

percebi que era noite clara
semáforos angustiados nublavam o néon
televisores formam um insone vitral
percebi tudo na solidão de minha existência

a noite já era um não-ser
caras plásticas sem vestígio de qualquer alma
nomes de promessas e instantes de ofensas
percebi a noite como uma máscara vienense

a noite fria dos medos
ruas em transe e falas contidas
sonha-se um sonho cinza em cada meio-fio
a noite já não era minha madrugada
- já não tenho mais café!
ouço passos apressados e encantamentos modernos
semblantes diferentes que clamavam e reclamavam o mesmo

percebi que amanhecia
e voltei a sorrir.

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