21 maio 2013

Há perdão?

Perdoar o quê?
A fumaça nunca tragada
e ao corpo presa;
os cigarros acesos e
violentos ao chão, enquanto
e os pulmões repousam sobre a mesa?

O verbo que se transformou em gesto,
mas que já era intenção,
dentro de um corpo sujo e
alheio aos sentidos -
irrompendo-se sobre sentimentos
como um desenfreado vulcão?

A ausência que invariavelmente foi falta,
lacuna imprudentemente programada
com tempo, silêncio e desculpas,
custando o incontável dos sorrisos amarelados
que de tanto se espalhar, dissipou, esvaneceu
dando lugar à rua, à lua?

O boca que diz perdoe
e traz a dissensão como estandarte,
locupletando-se de lembranças vazias
fazendo a espada ensaiar sair da bainha
num convite de mal agouro
naquele sempre dizer: eu iria.

Não há nada a perdoar!



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