06 outubro 2015

Mais tempo

A busca por mais tempo
À procura de mais encontros
É o tempo da pedra 
Da folha e da poeira do chão 
Do momento deificado
E da brecha no instante. 
É o sorriso quando escapa dos lábios 
Extrapola o movimento 
Arregaça a inércia da mente
E transforma a miopia dos ouvidos
Num diálogo de olhos embebidos - 
à meia luz.  
A busca por mais tempo 
E de outras tantas novas fotografias 
É o tempo da luz 
Das horas e das flores da calçada 
Do barco apontado para o poente
Em dias de poucas nuvens 
E vermelho leve no cansar do dia. 
É a procura por sentido
Numa inconsciência de borboletas 
Que produz beleza 
Que surge doída
Que voa bendita
Que morre em seguida. 
A busca por mais tempo 
É o amor pulsando vivo
No lapso do olhar 
Na incompreensão das velhas letras. 

Um comentário:

Sila São Pedro disse...

É a procura por sentido
Numa inconsciência de borboletas
Que produz beleza
Que surge doída
Que voa bendita
Que morre em seguida.