20 outubro 2014

Destemido

Apaixonar-se é algo definitivamente para os destemidos. O que dizer quando você se apaixona pela ideia daquela coisa ou daquela pessoa. Estou falando de algo diferente do fanatismo, da tietagem, do platonismo. 
Apaixonamento sér
io, com frio na espinha e borboletas imperiais no estômago - com direito à insônia, à escrita de poemas ou à busca de textos, pequenos mimos, que, supostamente, agradariam ao ser em questão.
Mudando as ações dar-se-ia o mesmo por uma coisa - estudar, pesquisar, malhar e um apanhado de comportamentos de aproximação da sua paixão.
Voltando às pessoas...
Não é incrível ter uma pontada de ciúme de alguém que você só reconhece a voz? Mas essa voz, por hora, é tudo que se tem.
Vai chegando o dia do encontro - tudo para ser maravilhoso, afinal já conversamos sobre tudo e nos conhecemos o suficiente.
Engano.
A ideia de alguém pode ser bem diferente deste alguém quando tudo acontece “ao vivo”, pense no risco (o será sempre em qualquer situação) quando isto começa no virtual, de dentro da caverna de Platão.
Parafraseando Euclides da Cunha, o apaixonado é antes de tudo um forte.
Debaixo e acima dos quatro elementos ele quer ver, sentir, testar a própria felicidade do encontro com o que um dia foi verbo e agora se transformou em matéria física.
Telefone não tem cheiro, whatsapp não tem sabor...
Decepção? É uma possibilidade do quebra-cabeça amoroso, mas com isto lidarei quando e se for necessário.



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