25 fevereiro 2016

Na mosca.

Às vezes o único erro é não ter uma borracha 
Não ter raios, espada, fé ou ilusão, 
Ou mesmo um empoeirado e indecente mata-borrão 
Para suprimir o engano de tantas construções de engano. 

Nunca foi óbvio que te perderia 
Essa cena não é escrita, nem vivida a contento ou ao cabo. 
Teve sempre uma luz inoportuna na nossa coxia 
Para lembrar que o drama não era vida, mas que era real. 

Às vezes o crasso do erro é não ser fulminante 
E dilapidar sonhos antes de desejos
E segregar lágrimas, descarrilando emoções primevas 
Para confundir um leve movimento de lábios com o sorriso. 

Às vezes o único erro era não ter uma borracha;
Eu queria dizer: apagar e recomeçar! 
Apagar, a-pa-gar, à pagar...
Não deve haver sobrescrita na tatuagem que a alma se infringe. 

Sou de errar, mas sou contraditoriamente de acreditar 
Sou de apagar, de deixar limpo, de clarear,
Mas sou desgraçadamente de remoer e recordar 
Legitimador e (auto)algoz das ilações derradeiras dos passantes 

Às vezes o único erro é não ter uma borracha. 
Desde a infância que não as trago no bolso. 
Não escrevo à tinta ou à lápis hoje em dia 
Mas com drogas psicoativas, discussões  e filmes de arte. 

Às vezes o erro é ficar masturbando o próximo erro. 

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