30 janeiro 2016

Nymphalidae

Já não tem mais tantas páginas para escrever,
Nem precisa reclamar por mais horas em sono 
Ou usar a yoga para vestir a comoção.
Já não tem mais tantas cenas para atuar. 

Serei alheio às lágrimas (próprias talvez), 
Mesmo com as dores da imanência, 
E arredado dos discursos inflamados 
Nas insones tardes das quintas-feiras.

Afinal, já não há tantas páginas para ler,
Nem serão necessária evocações mitológicas 
Ou se entediar entendendo meus grafismos...
Já não tem mais cenas para atuar! 

Mas por que você quer ler minha cartas?
Por que você que aprecia tanto a letra
E despreza tudo o que hoje, e só hoje, entendi como espírito?
Por que você você que escrever minha crítica, 
Expor sangue marginal 
Aprisionar a minha tagarelice  
Estancar o veio das loucuras
(Num repto colossal),
Se já não há mais cenas para atuar, montar ou dirigir?

Tchau! 

Tornar-me-ei uma borboleta de asas transparentes....

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