E, como num sortilégio incompreensível, tudo calou.
Nem mais uma voz,
nem mais uma lembrança,
nem recuperação
nem cuidado
nem dança.
Só os nervos falam
num dialeto embriagado de desconforto
de cansaço.
Só os nervos sussurram
quebrantos de neurotransmissores.
Só os nervos rabiscam
sinapses caóticas...
Qualquer morfina
não passa de oásis,
desilusão fotográfica.
E quando a dor grita
o silêncio da alma precipita...
E tudo cala.
04 abril 2013
17 março 2013
luvas
Me mande um par de luvas
- De aço cortiça couro ar,
Para acertar minha coluna
Tomar banho de tardezinha
Plantar minha goiabeira antiga
Ajeitar a barba no anoitecer...
E, ao ingerir o analgésico de esperanças caducas,
Embalar a fábrica de desejos...
Me mande as minhas luvas
- De ontem amanhã do meio de quando,
Para comer diferente novo
Escrever novamente outro
Sem tanta rima de gramática protética.
Para doar notas
E reatar sonho-de-nós-sonhos.
Escute, deixe que eu me visto...
Calço estas luvas
Que permitem sentir mãos
Quando o peito só tem garras...
Com luvas eu não vejo.
- De aço cortiça couro ar,
Para acertar minha coluna
Tomar banho de tardezinha
Plantar minha goiabeira antiga
Ajeitar a barba no anoitecer...
E, ao ingerir o analgésico de esperanças caducas,
Embalar a fábrica de desejos...
Me mande as minhas luvas
- De ontem amanhã do meio de quando,
Para comer diferente novo
Escrever novamente outro
Sem tanta rima de gramática protética.
Para doar notas
E reatar sonho-de-nós-sonhos.
Escute, deixe que eu me visto...
Calço estas luvas
Que permitem sentir mãos
Quando o peito só tem garras...
Com luvas eu não vejo.
06 março 2013
Suspiro
Há algo dentro de mim,
Que nasce num lugar qualquer
E vive noutro que desconheço,
Que sobrevive sem começo,
Sem apetrechos
(Dentro, dentro de mim),
Sem carecer de outros corpos.
Mas urge por almas
Daquelas bem apaixonadas
Como o vestido formoso quando usado
Ou o canhão de circo na sua vez do aplauso.
Há algo dentro de mim...
Que nasce num lugar qualquer
E vive noutro que desconheço,
Que sobrevive sem começo,
Sem apetrechos
(Dentro, dentro de mim),
Sem carecer de outros corpos.
Mas urge por almas
Daquelas bem apaixonadas
Como o vestido formoso quando usado
Ou o canhão de circo na sua vez do aplauso.
Há algo dentro de mim...
28 fevereiro 2013
VODKA
Tem coisas que começam num, ou em tantos, mundo e terminam em outros.
Deve haver clareza no "Eu sei!"
Deve haver um novo mundo em português.
Que começa no zodíaco
Que começa no vaso escondido
Que começará onde triunfei
Que terminará onde tu não serás rei.
Em meu domínio há um gringo;
em tuas mãos "para o moinho"
Nas outras : "para a enganação!".
Tem coisas que começam
Em algum outro mundo e terminam por aqui....
Tantas vidas se espalham (entre espadas e escudos)
Quando o verdadeiro amor se dispuser.
Quando o meu bem olhar no infinito, estarei no raio do luar.
Deve haver clareza no "Eu sei!"
Deve haver um novo mundo em português.
Que começa no zodíaco
Que começa no vaso escondido
Que começará onde triunfei
Que terminará onde tu não serás rei.
Em meu domínio há um gringo;
em tuas mãos "para o moinho"
Nas outras : "para a enganação!".
Tem coisas que começam
Em algum outro mundo e terminam por aqui....
Tantas vidas se espalham (entre espadas e escudos)
Quando o verdadeiro amor se dispuser.
Quando o meu bem olhar no infinito, estarei no raio do luar.
19 fevereiro 2013
Ladainamente
Emudecionado.
Mudo
De modas.
De licores,
Bem trabalhado.
Enriquecido.
Agraciado.
Paraliousado...
Experimentado em rodas.
Talhado.
Criativado...
Coisas e tantas outras.
Medo altivo, ébrio, banido.
Fé parcimoniosa, instruída, exitosa.
Ah, emudecionado.
Mudo
De modas.
De licores,
Bem trabalhado.
Enriquecido.
Agraciado.
Paraliousado...
Experimentado em rodas.
Talhado.
Criativado...
Coisas e tantas outras.
Medo altivo, ébrio, banido.
Fé parcimoniosa, instruída, exitosa.
Ah, emudecionado.
13 fevereiro 2013
Cativo
Quando deixar de cultivar escrúpulos
De ser submisso ao bom senso...
Amiguinho da cortesia
Libertarei meus escravos dos termos de grupos
Quando matar o que for orto-mente correto
Tirá-lo de minha fluidez
Que atua (sem subterfúgios) em minha mente
Retórica de shadow e prosódia de reto...
A ignorância reside sob a repetição
Faz seu ninho de gravetos
E limalhas de ferro enferrujado
Sob o sol de um novo dizer sem ambição
Tanto tempo sem pegar na pena
É meu castigo e aceito sem tanta ira...
Enquanto mantiver minha poesia cativa
Minha alma aparecerá sem escrita.
Cultivar . Cativar . Deixar cativo.
De ser submisso ao bom senso...
Amiguinho da cortesia
Libertarei meus escravos dos termos de grupos
Quando matar o que for orto-mente correto
Tirá-lo de minha fluidez
Que atua (sem subterfúgios) em minha mente
Retórica de shadow e prosódia de reto...
A ignorância reside sob a repetição
Faz seu ninho de gravetos
E limalhas de ferro enferrujado
Sob o sol de um novo dizer sem ambição
Tanto tempo sem pegar na pena
É meu castigo e aceito sem tanta ira...
Enquanto mantiver minha poesia cativa
Minha alma aparecerá sem escrita.
Cultivar . Cativar . Deixar cativo.
09 dezembro 2012
e.s.s.e. c.o.n.s.t.r.u.t.o.
Amor. Ah, esse construto com ares de ente soberano.
Desconhece dias da semana, notas musicais, odores, gastronomia, economia, teorias psicológicas, lendas grecorromanas ou mitologia yorubana - desconhece de cátedra!
Amor. Age solitariamente! Existem desses 'seres construtos' tantos quantos deles se ocuparem os cérebros-corações humanos. Se assim é, é falacioso o amor sentido por todos, pois cada um dos quase sete bilhões de peitos pulsantes têm o seu particular amor. Meu amor é assim, o seu é assado, o dela é sem açúcar por conta da dieta. [Alguns não tem nenhum? Não tenho como afirmar!]
É o amor que nos aproxima e faz com que vivamos juntos por quarenta anos ou que não consigamos passar dos trinta segundos após o sexo - primeira ou enésima? Até mais e sejamos felizes, ou, até amanhã e seremos felizes? Seremos felizes por que algum ser vai embora ou ficará? Podemos? Devemos? O que isso tem a ver com amor? Só se for com o amor, esse construto, por nós mesmos. Uma preocupação em podermos ser o mais próximos de nós mesmos.
Segundo uma amiga, e grande parte dos psicanalistas, a junção se dá pelas necessidades de um, respondidas pelas sobras do outro. Isso não é sem esforço. Essas coisas não são dadas na mesa. Para isso, faz-se necessário treino e investimento. Meu sintoma, minha formação de compromisso, minha mediação com a vida dada como objetiva, encontra eco nesse outro ser que pretendo arriscar uma história? Sim - ótimo encontrei um meio de cultura pro amor . Não - não adianta todo "amor" e toda possibilidade de enfermidade. Talvez por isso tenha tantas metades de laranjas por aí!
Desconhece dias da semana, notas musicais, odores, gastronomia, economia, teorias psicológicas, lendas grecorromanas ou mitologia yorubana - desconhece de cátedra!
Amor. Age solitariamente! Existem desses 'seres construtos' tantos quantos deles se ocuparem os cérebros-corações humanos. Se assim é, é falacioso o amor sentido por todos, pois cada um dos quase sete bilhões de peitos pulsantes têm o seu particular amor. Meu amor é assim, o seu é assado, o dela é sem açúcar por conta da dieta. [Alguns não tem nenhum? Não tenho como afirmar!]
É o amor que nos aproxima e faz com que vivamos juntos por quarenta anos ou que não consigamos passar dos trinta segundos após o sexo - primeira ou enésima? Até mais e sejamos felizes, ou, até amanhã e seremos felizes? Seremos felizes por que algum ser vai embora ou ficará? Podemos? Devemos? O que isso tem a ver com amor? Só se for com o amor, esse construto, por nós mesmos. Uma preocupação em podermos ser o mais próximos de nós mesmos.
Segundo uma amiga, e grande parte dos psicanalistas, a junção se dá pelas necessidades de um, respondidas pelas sobras do outro. Isso não é sem esforço. Essas coisas não são dadas na mesa. Para isso, faz-se necessário treino e investimento. Meu sintoma, minha formação de compromisso, minha mediação com a vida dada como objetiva, encontra eco nesse outro ser que pretendo arriscar uma história? Sim - ótimo encontrei um meio de cultura pro amor . Não - não adianta todo "amor" e toda possibilidade de enfermidade. Talvez por isso tenha tantas metades de laranjas por aí!
14 novembro 2012
v.a.r.i.a.ç.õ.e.s.
corpo como tela
palavras agulhadas de aquarela
minha vida de memória
minha cara no cinema
a biografia jorrando pela janela
[do invólucro]
corpo fechado e riscado
de todo, de todo não do agrado
variando entre igual e diferente
só é expresso o que é forjado na mente
sendo o compromisso permanente
[o mais que sagrado]
já disse e bato minha cabeça
não desapareço na goela
não são desenhos, mas desejos e símbolos
que adornam o templo de Òrìṣá -
que adornam meu corpo, minha tela
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