25 maio 2026

 


Por favor, mantenha a calma

Não posso mais te encontrar todos os dias

Ah! se fosse só desejo 

Se fosse só descer as máscaras 

Se fosse só eu e você… 

Minha senhora, os quartos estão alugados 

Não tenho como ficar na rua 

Ainda tenho algo parecido com um lar

Que vai estar lá quando eu voltar. E você? 

É. Eu sei quando você vai e vem em qualquer lugar

Não se apresse em me julgar

Nada de forte, covarde, perdido ou atroz

Só um corpo cansado de cair

Em febres e tolerâncias sem fim 

(a insistência de um amor ruim)

Minha senhora, meu copo-de-leite 

Descanse enquanto me atiro no mar 

Enquanto ainda dá pé no peito 

Não sei o que há de vir, é ou já foi

“Sou metal, raio, relâmpago e trovão “

Não posso me entregar assim à traição. 

Por favor, mantenha a calma

Todo dia, todo hoje, todo o amanhã 

Não sei se suporto, senhora

O para sempre é um ingrato delírio

Você é minha mente juntas: um doce maratírio

Décio Plácido, 25/05/26

17 novembro 2025

Ela silenciou 

Fez das minha palavras 

Sons inaudíveis 

Da minha escrita, 

Idioma estrangeiro. 

Ela calou

Como uma flor que murcha 

Que deixa escapar o viço

Antes, vívida

Agora, sombria

Fez-se incógnita 

Sua ausência foi a foice 

Que precede a inexistência 

Seu vazio era o eco

Do mais total desespero. 

Extrema quietude 

Interrompeu os canais 

Soterrou estradas

Derrubou floresta

Desertificou minhas falas

Ela se silenciou

Espanou meu coração 

Como quem diz: cão, xô! 

Eu juntei os trapos 

Para não me indispor.

23 outubro 2025

Chegou

Mudou meu olhar 

Fez diferente 

Inscreveu na tez

Escreveu outra vez 

Um sentir saliente. 

Chegou

Amalgamou o caminho

Tinha tom insolente 

E peito escancarado 

Coisa de ficar intrigado

Dever de ser paciente 

Chegou

Bateu à porta 

Vestia azul celestial

Trazia água e desejos

Dizia esperar por sinal

Sinal de que ainda pelejo. 

Chegou 

Pegou minha mão 

Entre sorriso renascentista 

E a expressão de alma africana

Mostrou que sou artista

E a poesia é algo que inflama. 

Chegou

Mudou meu olhar 

Fez semente

Destituiu o pavor 

Instaurou o caliente 

Será tudo isso amor? 

22 outubro 2025

Chegou como tantas. 

Meio óbvio, 

Um pouco clichê

Vinda de não sei das quantas! 


Eu ia, ela ia; eu sentia, ela dizia…

Alojou-se na minha sombra.

Eu caia, ela tropeçava e se batia 

Se eu reclamasse, era grande a tromba.


Empoeirada pelo meu caminhar,

Eu rezava para não ser atrapalhado.

Não adiantou apressar o passo,

Só consegui que ela me quisesse embrulhado.  


Foi num instante de distração 

Que abri a guarda segura da distância

E baixei as cercas discretas da intenção… 

Fui sequestrado sem elegância. 


Precisei invocar um quebranto

Que desfizesse nó e âncora,

Me devolvesse o sol numa ânfora 

E a fizesse querer vestir outro manto. 


Chegou como tantas 

(tentou)

Morreu única. 


14 outubro 2025

E se eu escapasse da linguagem 
Abrisse mão de Tudo
E não houvesse diferença 
Entre significado e enunciação? 

E se eu estivesse fora dos registros 
Sem caber em humanidade?
E se tudo fosse descalculado 
E o acaso definisse a Criação? 

- Eu me escuto e eu te ouço!
Sem as armadilhas da Língua
Superfície lisa, sem nós
Nem objetificação.

E se eu fosse mestre doutor
Em amores Aproximados 
Não estaria neste mundo
Existiria real ou por procuração?

E se eu virasse um bicho? 
E se eu nascesse um deus?
Um ateu do Predicado
Seria você a outra opção? 

27 agosto 2025

No ofício de escutar, 

Fui forjado

Com aço e plumas.

Igualmente 

Adornado e estruturado. 


No ofício de escutar,

Faço estradas. 

Entre veredas 

Descampadas

E selvas fechadas. 


No ofício de escutar, 

Digo coisas a outrem.  

Interpretação.  

Sai do labor

A palavra que vem. 


No ofício de escutar,

É preciso silenciar

O próprio ego. 

Ser ponte,  

Fosso e castelo. 


No ofício de escutar, 

Reside a minha alma.

Tenho calma.

Inspiro

E o Sol se espalma. 

14 agosto 2025

Nos vimos. 

Nos reconhecemos. 

E ela disse sim. 


Tinha lembranças 

Tinha ouvidos, 

Então rimos. 


Afrodite ainda mora nela. 

Uma definição de Luz… 

Não sabia onde pôr as mãos, 

Meus olhos estavam abertos.


Não sabia se mirava ou seguia seu olhar 

Ou me rendia às lembranças 

Vivas de apertar o coração -  

Reais de machucar os dedos no violão. 


Ela me disse da sua vida.

Escutei como um devotado aprendiz. 

Quis saber da lacuna do tempo

Esquecendo a felicidade na ponta do nariz.


Nós vimos por aí 

Um bom acidente do acaso.

Já fiz música até pra ela 

E quando choveu, entreguei meu casaco.  

30 junho 2025

Para Patrícia e Isadora

Elas são dois encantos. 

Cada uma mexe em um ponto.

Somos um trio que se uniu.

Já teve canto, encontro e pranto,

Houve outros encontros,

Mas amor assim jamais se viu.


Elas têm seus amores… 

Nós vivemos nossos amores!

Temos uma história vivida.

Um triunvirato.

Uma tríplice coroa e

Três magos de uma estrela vívida.


Elas me salvaram várias vezes a vida. 

Me ajudaram a encontrar sentido.

O beijo arrancado, o abraço apertado… 

Lembro de tudo, não esqueço dos sorrisos 

Dos valores leais e dos dissabores.

O caminho de uma amizade na lida. 


Isinha, Pequena, Dodous … só carinho

Um doce, uma realeza, só grandeza!

Patita, Pat Maria, minha Pat da poesia 

Que lê Pessoa e me tira as certezas. 

Somos de algum jeito nossos 

Até voarmos como passarinhos. 

Décio Plácido, 30/06/07


Mais do Mesmo Alívio!!!