09 julho 2026
06 julho 2026
Na sua entrega, me lanço aos seus domínios.
Como mago / Como desbravador / Como aprendiz
De um novo afeto
De uma nova possibilidade de existir à dois.
De um tempo de gentileza
nos olhos / no reconhecimento / do que já nasce como potência
como insígnia
como descanso para o amor
que há muito se pressentia
nos portos / nas veredas / nas ruas / em todo lugar de existência…
Persisti.
Sabia que te encontraria.
Sabia como se sabe o próprio nome
como molhar é razão da chuva / E chovia!
Te reconheci porque nada fora mais cristalino
mais perturbador das conveniências
mais insinuante / mais acolhedor dos meus anseios / mais confidente dos meus desejos
pouso para minha busca por amplidão.
Você me faz retornar ao amor.
Crédulo.
Mais !
Fiador de uma nova vida
Da beleza / Da nobreza
Da certeza do raro encontro.
Da busca que finda.
Da alma que vibra / Dos lábios que vertem beleza.
Meu corpo é chama
Meu espírito é colo.
Minha perspectiva se dobra a sua doce presença.
Vem!
Só amor te espera.
Décio Plácido, 02/07/2026
24 junho 2026
Me diz que teu nome é doce
Que gruda nos lábios
Um caramelo
Um bem casado
Me diz que o teu toque arrepia
Que deixa marcas ao relar
Um veludo
Um tapete felpudo
Me diz que é raro te encontrar
Uma aposta de loteria
A fruta doce do pomar
E o olhar que não desvia
Me diz que é você
Que vai sentir o meu perfume
Despir
Roçar
Deitar
Me diz algo bom
Que eu recebo o encanto.
Me diz que vai me pintar
No teu peito
Mãos
Costas
E desejos.
Me diz que eu cheiro a folhas e desodorante
Décio Plácido, 24/06/27
22 junho 2026
Lá vou eu de novo!
Desarmado
Descarado.
Vejo por entre a venda dos amigos
Venda de segurança - vejam só!
Caminho em direção a ela
Só me importam os arrepios na carne.
O sangue errando os vasos
Os neurônios fazendo tranças
E o coração é o meu corpo inteiro.
Lá vou eu de novo.
Desafiado.
Desgastado.
Ando por poças sem me importar
Poça pra me parar - vejam só!
Caminho pra ela e por ela.
Não importam o tempo e os passos!
Se minha respiração muda, eu atendo;
Se meus músculos contraem, eu aceito.
Lá vou eu de novo
Atento
Aterrorizado
Com a coragem de que chama meu nome…
Com uma quase certeza das mensagens digitais.
Caminho para ela e por ela.
Tenho medo quando você se cala;
Tenho medo quando não consigo ouvir.
Mas vou andando por entre minas
Algo, diferente de minha cognição, me guiará ao seu amor.
Lá vou eu de novo
E não há nada que alguém possa fazer.
Mais vale o salto ornamental que a piscina;
É necessário subir o sarrafo.
É necessário que eu suba ao terraço.
Se minha respiração muda, eu atendo
Se meus músculos contraem, eu aceito
Se você me aparece,
É para frente que se anda nessa espiral.
É na nossa frente que o amor se mostra como tal.
Décio Plácido, 22/06/26
20 junho 2026
A solidão não é estar sem alguém
Como se você estivesse só num deserto…
É uma força incontrolável,
Contra a vontade,
No meio de um um mar de afetos,
De amores, de alegrias e tantas virtudes
Que impele a uma tristeza profunda;
Iluminada ou não,
Palpável ou não,
Substanciada ou não,
Mas sem porta, janela, fenda, fresta…
É um estado de espírito
Que contraria a alma,
Que faz com que se tenha hemorragias
de sentido ou razão.
Afogar-se na superfície de uma dor cinza
Sem plano ou forma e aresta.
Sem expressão,
Sem definição,
Sem contexto,
O falso do falso que se instaura.
Décio Plácido, 20/06/26
25 maio 2026
Por favor, mantenha a calma
Não posso mais te encontrar todos os dias
Ah! se fosse só desejo
Se fosse só descer as máscaras
Se fosse só eu e você…
Minha senhora, os quartos estão alugados
Não tenho como ficar na rua
Ainda tenho algo parecido com um lar
Que vai estar lá quando eu voltar. E você?
É. Eu sei quando você vai e vem em qualquer lugar
Não se apresse em me julgar
Nada de forte, covarde, perdido ou atroz
Só um corpo cansado de cair
Em febres e tolerâncias sem fim
(a insistência de um amor ruim)
Minha senhora, meu copo-de-leite
Descanse enquanto me atiro no mar
Enquanto ainda dá pé no peito
Não sei o que há de vir, é ou já foi
“Sou metal, raio, relâmpago e trovão “
Não posso me entregar assim à traição.
Por favor, mantenha a calma
Todo dia, todo hoje, todo o amanhã
Não sei se suporto, senhora
O para sempre é um ingrato delírio
Você é minha mente juntas: um doce maratírio
Décio Plácido, 25/05/26
17 novembro 2025
Ela silenciou
Fez das minha palavras
Sons inaudíveis
Da minha escrita,
Idioma estrangeiro.
Ela calou
Como uma flor que murcha
Que deixa escapar o viço
Antes, vívida
Agora, sombria
Fez-se incógnita
Sua ausência foi a foice
Que precede a inexistência
Seu vazio era o eco
Do mais total desespero.
Extrema quietude
Interrompeu os canais
Soterrou estradas
Derrubou floresta
Desertificou minhas falas
Ela se silenciou
Espanou meu coração
Como quem diz: cão, xô!
Eu juntei os trapos
Para não me indispor.
23 outubro 2025
Chegou
Mudou meu olhar
Fez diferente
Inscreveu na tez
Escreveu outra vez
Um sentir saliente.
Chegou
Amalgamou o caminho
Tinha tom insolente
E peito escancarado
Coisa de ficar intrigado
Dever de ser paciente
Chegou
Bateu à porta
Vestia azul celestial
Trazia água e desejos
Dizia esperar por sinal
Sinal de que ainda pelejo.
Chegou
Pegou minha mão
Entre sorriso renascentista
E a expressão de alma africana
Mostrou que sou artista
E a poesia é algo que inflama.
Chegou
Mudou meu olhar
Fez semente
Destituiu o pavor
Instaurou o caliente
Será tudo isso amor?
