Eu costumava caber
Não reclamar do espaço
Ser livre para escrever
Não ver a hora e a roupa
Nada era contra a sintonia
Não havia lonjura
Nem apertos
Tudo era uma só
Existir em si
Uma faísca de aventura
Uma nota perfeita
Quando executo uma canção
Andava pela Cidade da Bahia
Era um pé de vento
Era o galho de arruda em cada orelha
Eu costumava caber
Era o número e o tamanho
Era o café preto sem açúcar do fim da tarde
Sei que é redundante café preto sem açúcar
O leve queimar dos lábios no descuido da xícara
Os perfumes depois dos abraços
Era brasa e também folha virgem
Era moreno de brincos de ouro
Era o iogue dos afoitos
Era a cor da minha própria voz
Eu vestido até os verbos de mim
Até quê?
Como dizer?
O próximo segundo irremediavelmente chegou.