11 julho 2026


És única na minha experiência

Dos meus encontros e retroencontros 

Não trazes nem poeira

Novinha em folha [que me perfuma]

És uma dádiva 

Uma supernova em meu pequeno Universo

Chama

Me chama

Me incendeia e me levas pra junto de ti.

Nada igual foi visto

Nadinha nesses anos de busca

Uma longa pandemia de desencontros.

Vou acender um incenso 

Algo que represente a gente agora

Bem agorinha

Queimando e perfumando 

Existência se dá em reconhecimentos

Em saber que os olhos já se ouviram 

Numa outra possibilidade de amor e vida juntos

Vou ascender um incenso e beber água 

Queimo 

E não viramos cinzas 

Queimas 

E adentramos em la dolce vita

Merecida por amantes e poetas. 

06 julho 2026

Na sua entrega, me lanço aos seus domínios.

Como mago / Como desbravador /  Como aprendiz

De um novo afeto

De uma nova possibilidade de existir à dois.

De um tempo de gentileza

nos olhos /  no reconhecimento /  do que já nasce como potência

como insígnia

como descanso para o amor

que há muito se pressentia

nos portos / nas veredas / nas ruas /  em todo lugar de existência…

Persisti.

Sabia que te encontraria.

Sabia como se sabe o próprio nome

como molhar é razão da chuva / E chovia!

Te reconheci porque nada fora mais cristalino

mais perturbador das conveniências

mais insinuante / mais acolhedor dos meus anseios /  mais confidente dos meus desejos

pouso para minha busca por amplidão.

Você me faz retornar ao amor.

Crédulo.

Mais !

Fiador de uma nova vida

Da beleza /  Da nobreza

Da certeza do raro encontro.

Da busca que finda.

Da alma que vibra /  Dos lábios que vertem beleza.

Meu corpo é chama

Meu espírito é colo.

Minha perspectiva se dobra a sua doce presença.

Vem!

Só amor te espera.

Décio Plácido, 02/07/2026

24 junho 2026

Me diz que teu nome é doce 

Que gruda nos lábios 

Um caramelo 

Um bem casado 

Me diz que o teu toque arrepia 

Que deixa marcas ao relar 

Um veludo

Um tapete felpudo 

Me diz que é raro te encontrar 

Uma aposta de loteria 

A fruta doce do pomar

E o olhar que não desvia 

Me diz que é você 

Que vai sentir o meu perfume 

Despir 

Roçar

Deitar 

Me diz algo bom 

Que eu recebo o encanto. 

Me diz que vai me pintar

No teu peito 

Mãos 

Costas 

E desejos.

Me diz que eu cheiro a folhas e desodorante

Décio Plácido, 24/06/27

22 junho 2026


Lá vou eu de novo! 

Desarmado

Descarado.

Vejo por entre a venda dos amigos

Venda de segurança - vejam só! 

Caminho em direção a ela

Só me importam os arrepios na carne. 

O sangue errando os vasos 

Os neurônios fazendo tranças 

E o coração é o meu corpo inteiro.

Lá vou eu de novo.

Desafiado. 

Desgastado.

Ando por poças sem me importar

Poça pra me parar - vejam só! 

Caminho pra ela e por ela.

Não importam o tempo e os passos!

Se minha respiração muda, eu atendo;

Se meus músculos contraem, eu aceito.

Lá vou eu de novo 

Atento

Aterrorizado 

Com a coragem de que chama meu nome…

Com uma quase certeza das mensagens digitais. 

Caminho para ela e por ela. 

Tenho medo quando você se cala; 

Tenho medo quando não consigo ouvir. 

Mas vou andando por entre minas

Algo, diferente de minha cognição, me guiará ao seu amor. 

Lá vou eu de novo

E não há nada que alguém possa fazer.

Mais vale o salto ornamental que a piscina;

É necessário subir o sarrafo.

É necessário que eu suba ao terraço.

Se minha respiração muda, eu atendo

Se meus músculos contraem, eu aceito

Se você me aparece, 

É para frente que se anda nessa espiral. 

É na nossa frente que o amor se mostra  como tal. 

Décio Plácido, 22/06/26

20 junho 2026

A solidão não é estar sem alguém 

Como se você estivesse só num deserto…

É uma força incontrolável, 

Contra a vontade,

No meio de um um mar de afetos,

De amores, de alegrias e tantas virtudes

Que impele a uma tristeza profunda;

Iluminada ou não, 

Palpável ou não,

Substanciada ou não, 

Mas sem porta, janela, fenda, fresta…

É um estado de espírito 

Que contraria a alma, 

Que faz com que se tenha hemorragias

de sentido ou razão. 

Afogar-se na superfície de uma dor cinza

Sem plano ou forma e aresta.

Sem expressão, 

Sem definição, 

Sem contexto, 

O falso do falso que se instaura. 

Décio Plácido, 20/06/26

Mais do Mesmo Alívio!!!