23 julho 2026

A vida nos impõe intervalos de solidão 

O labor se apresenta 

Os livros reinvidicam

Cuidar dos filhos

Contemplar o mar 

Apreciar as lagartas

Escrever um poema

Me desnudar

Logo volto a te encontrar 

Tão rápido quanto o sol se recolhe.

Logo o mar retorna

As borboletas voam

O letras se emancipam. 

Os filhos nos despedem… 

É só um piscar de olhos

Não mais.

Nada mais que isso. 

Sob o risco de endurecer as pálpebras 

Sob o risco de me afogar 

Neste poço de tantos sentidos 

Neste mundo de silêncios 

Neste canto onde nem toda luz chega.

Décio Plácido, 23/07/26

19 julho 2026

Caramelo salgado

Brigadeiro trufado

O nosso amor 

Servido num pires 

Melando os dedos

Adoçando a quem se mela dos lados 


Tentei evitar o açúcar 

Como às outras drogas 

Mas me trouxestes um beijinho

Carregado no coco

Que por amor comi uns oito 

Que por amor guardei meus medos 


Sim, nossos nomes doces

Sim, calda engrossando…

Um cozimento lento, atento

Na panela, na terrina, na bacia

Esse doce não cabe em qualquer lugar

É proveito de corações desfeitos. 


Caramelo salgado

Um sentir nada gourmetizado

Mas de ingredientes incomparáveis 

Selecionados pelo tempo - longo - da busca 

A procura que manteve seu sabor

Na certeza que jantar finda na sobremesa 

11 julho 2026


És única na minha experiência

Dos meus encontros e retroencontros 

Não trazes nem poeira

Novinha em folha [que me perfuma]

És uma dádiva 

Uma supernova em meu pequeno Universo

Chama

Me chama

Me incendeia e me levas pra junto de ti.

Nada igual foi visto

Nadinha nesses anos de busca

Uma longa pandemia de desencontros.

Vou acender um incenso 

Algo que represente a gente agora

Bem agorinha

Queimando e perfumando 

Existência se dá em reconhecimentos

Em saber que os olhos já se ouviram 

Numa outra possibilidade de amor e vida juntos

Vou ascender um incenso e beber água 

Queimo 

E não viramos cinzas 

Queimas 

E adentramos em la dolce vita

Merecida por amantes e poetas. 

06 julho 2026

Na sua entrega, me lanço aos seus domínios.

Como mago / Como desbravador /  Como aprendiz

De um novo afeto

De uma nova possibilidade de existir à dois.

De um tempo de gentileza

nos olhos /  no reconhecimento /  do que já nasce como potência

como insígnia

como descanso para o amor

que há muito se pressentia

nos portos / nas veredas / nas ruas /  em todo lugar de existência…

Persisti.

Sabia que te encontraria.

Sabia como se sabe o próprio nome

como molhar é razão da chuva / E chovia!

Te reconheci porque nada fora mais cristalino

mais perturbador das conveniências

mais insinuante / mais acolhedor dos meus anseios /  mais confidente dos meus desejos

pouso para minha busca por amplidão.

Você me faz retornar ao amor.

Crédulo.

Mais !

Fiador de uma nova vida

Da beleza /  Da nobreza

Da certeza do raro encontro.

Da busca que finda.

Da alma que vibra /  Dos lábios que vertem beleza.

Meu corpo é chama

Meu espírito é colo.

Minha perspectiva se dobra a sua doce presença.

Vem!

Só amor te espera.

Décio Plácido, 02/07/2026

Mais do Mesmo Alívio!!!