06 julho 2026

Na sua entrega, me lanço aos seus domínios.

Como mago / Como desbravador /  Como aprendiz

De um novo afeto

De uma nova possibilidade de existir à dois.

De um tempo de gentileza

nos olhos /  no reconhecimento /  do que já nasce como potência

como insígnia

como descanso para o amor

que há muito se pressentia

nos portos / nas veredas / nas ruas /  em todo lugar de existência…

Persisti.

Sabia que te encontraria.

Sabia como se sabe o próprio nome

como molhar é razão da chuva / E chovia!

Te reconheci porque nada fora mais cristalino

mais perturbador das conveniências

mais insinuante / mais acolhedor dos meus anseios /  mais confidente dos meus desejos

pouso para minha busca por amplidão.

Você me faz retornar ao amor.

Crédulo.

Mais !

Fiador de uma nova vida

Da beleza /  Da nobreza

Da certeza do raro encontro.

Da busca que finda.

Da alma que vibra /  Dos lábios que vertem beleza.

Meu corpo é chama

Meu espírito é colo.

Minha perspectiva se dobra a sua doce presença.

Vem!

Só amor te espera.

Décio Plácido, 02/07/2026

24 junho 2026

Me diz que teu nome é doce 

Que gruda nos lábios 

Um caramelo 

Um bem casado 

Me diz que o teu toque arrepia 

Que deixa marcas ao relar 

Um veludo

Um tapete felpudo 

Me diz que é raro te encontrar 

Uma aposta de loteria 

A fruta doce do pomar

E o olhar que não desvia 

Me diz que é você 

Que vai sentir o meu perfume 

Despir 

Roçar

Deitar 

Me diz algo bom 

Que eu recebo o encanto. 

Me diz que vai me pintar

No teu peito 

Mãos 

Costas 

E desejos.

Me diz que eu cheiro a folhas e desodorante

Décio Plácido, 24/06/27

22 junho 2026


Lá vou eu de novo! 

Desarmado

Descarado.

Vejo por entre a venda dos amigos

Venda de segurança - vejam só! 

Caminho em direção a ela

Só me importam os arrepios na carne. 

O sangue errando os vasos 

Os neurônios fazendo tranças 

E o coração é o meu corpo inteiro.

Lá vou eu de novo.

Desafiado. 

Desgastado.

Ando por poças sem me importar

Poça pra me parar - vejam só! 

Caminho pra ela e por ela.

Não importam o tempo e os passos!

Se minha respiração muda, eu atendo;

Se meus músculos contraem, eu aceito.

Lá vou eu de novo 

Atento

Aterrorizado 

Com a coragem de que chama meu nome…

Com uma quase certeza das mensagens digitais. 

Caminho para ela e por ela. 

Tenho medo quando você se cala; 

Tenho medo quando não consigo ouvir. 

Mas vou andando por entre minas

Algo, diferente de minha cognição, me guiará ao seu amor. 

Lá vou eu de novo

E não há nada que alguém possa fazer.

Mais vale o salto ornamental que a piscina;

É necessário subir o sarrafo.

É necessário que eu suba ao terraço.

Se minha respiração muda, eu atendo

Se meus músculos contraem, eu aceito

Se você me aparece, 

É para frente que se anda nessa espiral. 

É na nossa frente que o amor se mostra  como tal. 

Décio Plácido, 22/06/26

20 junho 2026

A solidão não é estar sem alguém 

Como se você estivesse só num deserto…

É uma força incontrolável, 

Contra a vontade,

No meio de um um mar de afetos,

De amores, de alegrias e tantas virtudes

Que impele a uma tristeza profunda;

Iluminada ou não, 

Palpável ou não,

Substanciada ou não, 

Mas sem porta, janela, fenda, fresta…

É um estado de espírito 

Que contraria a alma, 

Que faz com que se tenha hemorragias

de sentido ou razão. 

Afogar-se na superfície de uma dor cinza

Sem plano ou forma e aresta.

Sem expressão, 

Sem definição, 

Sem contexto, 

O falso do falso que se instaura. 

Décio Plácido, 20/06/26

25 maio 2026

 


Por favor, mantenha a calma

Não posso mais te encontrar todos os dias

Ah! se fosse só desejo 

Se fosse só descer as máscaras 

Se fosse só eu e você… 

Minha senhora, os quartos estão alugados 

Não tenho como ficar na rua 

Ainda tenho algo parecido com um lar

Que vai estar lá quando eu voltar. E você? 

É. Eu sei quando você vai e vem em qualquer lugar

Não se apresse em me julgar

Nada de forte, covarde, perdido ou atroz

Só um corpo cansado de cair

Em febres e tolerâncias sem fim 

(a insistência de um amor ruim)

Minha senhora, meu copo-de-leite 

Descanse enquanto me atiro no mar 

Enquanto ainda dá pé no peito 

Não sei o que há de vir, é ou já foi

“Sou metal, raio, relâmpago e trovão “

Não posso me entregar assim à traição. 

Por favor, mantenha a calma

Todo dia, todo hoje, todo o amanhã 

Não sei se suporto, senhora

O para sempre é um ingrato delírio

Você é minha mente juntas: um doce maratírio

Décio Plácido, 25/05/26

17 novembro 2025

Ela silenciou 

Fez das minha palavras 

Sons inaudíveis 

Da minha escrita, 

Idioma estrangeiro. 

Ela calou

Como uma flor que murcha 

Que deixa escapar o viço

Antes, vívida

Agora, sombria

Fez-se incógnita 

Sua ausência foi a foice 

Que precede a inexistência 

Seu vazio era o eco

Do mais total desespero. 

Extrema quietude 

Interrompeu os canais 

Soterrou estradas

Derrubou floresta

Desertificou minhas falas

Ela se silenciou

Espanou meu coração 

Como quem diz: cão, xô! 

Eu juntei os trapos 

Para não me indispor.

23 outubro 2025

Chegou

Mudou meu olhar 

Fez diferente 

Inscreveu na tez

Escreveu outra vez 

Um sentir saliente. 

Chegou

Amalgamou o caminho

Tinha tom insolente 

E peito escancarado 

Coisa de ficar intrigado

Dever de ser paciente 

Chegou

Bateu à porta 

Vestia azul celestial

Trazia água e desejos

Dizia esperar por sinal

Sinal de que ainda pelejo. 

Chegou 

Pegou minha mão 

Entre sorriso renascentista 

E a expressão de alma africana

Mostrou que sou artista

E a poesia é algo que inflama. 

Chegou

Mudou meu olhar 

Fez semente

Destituiu o pavor 

Instaurou o caliente 

Será tudo isso amor? 

Mais do Mesmo Alívio!!!