05 novembro 2026

Eu costumava caber

Não reclamar do espaço 

Ser livre para escrever 

Não ver a hora e a roupa 

Nada era contra a sintonia 

Não havia lonjura 

Nem apertos 

Tudo era uma só 

Existir em si 

Uma faísca de aventura

Uma nota perfeita

Quando executo uma canção 

Andava pela Cidade da Bahia 

Era um pé de vento

Era o galho de arruda em cada orelha 

Eu costumava caber 

Era o número e o tamanho 

Era o café preto sem açúcar do fim da tarde 

Sei que é redundante café preto sem açúcar 

O leve queimar dos lábios no descuido da xícara 

Os perfumes depois dos abraços 

Era brasa e também folha virgem

Era moreno de brincos de ouro 

Era o iogue dos afoitos

 Era a cor da minha própria voz

Eu vestido até os verbos de mim 

Até quê? 

Como dizer?

O próximo segundo irremediavelmente chegou. 

29 outubro 2026

Quando fecho os olhos 
Só há um branco que cega 
Me impede de sonhar e isso me faz claudicar 
Mancar na rotina ordinária 
A dor do desalinho
O sofrer da assimetria 
Porque você não opera? 
Como consertar o inefável? 
Como por prótese ou curativo no infinito desalmado ? 
A alma ainda não voltou 
Mas já mandou recado. 
O inferno não são os outros 
Mas o corpo sem o outro 
Sem o sabor dos olhos…

28 outubro 2026

Podem dilacerar o amor

Transformá-lo em dejetos inacessíveis

Criar um Riobaldo red pilll

Um Reinaldo que jamais será Diadorim 

Um Bentinho sem dúvidas 

Porque dos meus pés 

Nascerão uma astromelia 

Uma gérbera e um copo-de-leite 

Manterei a memória 

Ainda que sob ataque 

Ainda que eu tenha que atacar 

Podem despedaçar o corpo 

Traduzi-lo em línguas inadequadas

Inaudíveis e sem sabor

Desfazer as asas do beija-flor 

Roubar a nobreza do mel 

Ignorar o mar 

Porque dos meus pés 

Dos meus braços e dentes 

Numa erupção de pétalas

Reerguerei quem tu és 

Reerguerei a jornada que findaste.  

20 outubro 2026

com quem foi que assinei contrato

versando de amor, assim nos peitos

discorrendo sobre afogamentos

assim de todo jeito?

A saudade não tem régua

Se apossa, faz miséria

Separa alma e matéria

Ou tem a demora de uma légua



há lúgubres lugares 

De novo e retorno 

onde não se deve voltar 

Nem na porta 

para a beira do precipício 

Chegue ao mar 

para uma amor em frangalhos 

Levante o pó 

ou para o hospício.

Mais do Mesmo Alívio!!!