24 setembro 2026

Escrevo para evitar vícios 

Para não perder o tino

E para construir o agora 

Único bem que carrego

Escrevo versos 

Verdades e mentiras 

Mas só coisas de bondade 

Escrevo para me tocar 

Para me sentir profundamente 

Chego a tocar meus pulmões 

Com uma palavra mais afiada 

O coração é todo retalhado 

Não há cola para o picotado 

Escrevo e não me vicio 

Ouço a música de Nietzsche

Mas não sei dançar 

Só rabiscar fenômenos

E arriscamentos

14 setembro 2026

se o amor se divide

o que o junta?

a lealdade dos corpos

a solidez das promessas

a crueza dos sonhos

ou a cama devidamente

arrumada e esticada?

a ruína é a estrada para transformação

(acabei de ler na legenda dum filme)

se o amor se divide

faz sentido se juntar?

retransformar em um o que se fez dois

o que é essa matemática?

transformar a borboleta em lagarta outra vez?

o que viver sendo dois

quanto se perde sendo um

o que é isso de ser no amor

um sendo dois - dois que nunca foram um

um que sempre foi um - dois que nunca são um existir

se o amor se divide

é justo ou inverídico rearrumar?

o que decide isso?

quem discutiu isso?

o que pode se haver nisto?

27/08/26

11 setembro 2026

duas pessoas se enlaçam 
por telefone
dados binários 
por interesses do destino
por sonhos de meninos
pela autoridade do pôr do sol 

duas pessoas se ligam 
o primeiro raio de sol que rasgar o universo 
queima um único poro 
nos dois rostos que se uniram 

num tipo especial de amálgama 
entre o porto e a ilha 
das docas ao mar aberto 

é verdade, mas também vertigem 
- fotografa o vero segundo 
que luzes insistem no toque
na delicadeza antropofágica
30/08/2026

10 setembro 2026

sinto que o amor é suporte é faca de kit corte e densidade de todos os portes é uma barganha com a sorte Boa falta norte sobra símbolos de vida e morte não que isso realmente bote mas também não é algo que que se Dêpot Para o amor já fiz vários intensos quase virei ou somos todos detentos desse bolo quase não sobra fermento o corte seco é violento sido que o amor é algo tortuoso rio caudaloso terreno pantanoso um golpe pre sem aguento Calor de fogaréu mas não me arrebento

28/08/26

23 julho 2026

A vida nos impõe intervalos de solidão 

O labor se apresenta 

Os livros reinvidicam

Cuidar dos filhos

Contemplar o mar 

Apreciar as lagartas

Escrever um poema

Me desnudar

Logo volto a te encontrar 

Tão rápido quanto o sol se recolhe.

Logo o mar retorna

As borboletas voam

O letras se emancipam. 

Os filhos nos despedem… 

É só um piscar de olhos

Não mais.

Nada mais que isso. 

Sob o risco de endurecer as pálpebras 

Sob o risco de me afogar 

Neste poço de tantos sentidos 

Neste mundo de silêncios 

Neste canto onde nem toda luz chega.

Décio Plácido, 23/07/26

19 julho 2026

Caramelo salgado

Brigadeiro trufado

O nosso amor 

Servido num pires 

Melando os dedos

Adoçando a quem se mela dos lados 


Tentei evitar o açúcar 

Como às outras drogas 

Mas me trouxestes um beijinho

Carregado no coco

Que por amor comi uns oito 

Que por amor guardei meus medos 


Sim, nossos nomes doces

Sim, calda engrossando…

Um cozimento lento, atento

Na panela, na terrina, na bacia

Esse doce não cabe em qualquer lugar

É proveito de corações desfeitos. 


Caramelo salgado

Um sentir nada gourmetizado

Mas de ingredientes incomparáveis 

Selecionados pelo tempo - longo - da busca 

A procura que manteve seu sabor

Na certeza que jantar finda na sobremesa 

11 julho 2026


És única na minha experiência

Dos meus encontros e retroencontros 

Não trazes nem poeira

Novinha em folha [que me perfuma]

És uma dádiva 

Uma supernova em meu pequeno Universo

Chama

Me chama

Me incendeia e me levas pra junto de ti.

Nada igual foi visto

Nadinha nesses anos de busca

Uma longa pandemia de desencontros.

Vou acender um incenso 

Algo que represente a gente agora

Bem agorinha

Queimando e perfumando 

Existência se dá em reconhecimentos

Em saber que os olhos já se ouviram 

Numa outra possibilidade de amor e vida juntos

Vou ascender um incenso e beber água 

Queimo 

E não viramos cinzas 

Queimas 

E adentramos em la dolce vita

Merecida por amantes e poetas. 

06 julho 2026

Na sua entrega, me lanço aos seus domínios.

Como mago / Como desbravador /  Como aprendiz

De um novo afeto

De uma nova possibilidade de existir à dois.

De um tempo de gentileza

nos olhos /  no reconhecimento /  do que já nasce como potência

como insígnia

como descanso para o amor

que há muito se pressentia

nos portos / nas veredas / nas ruas /  em todo lugar de existência…

Persisti.

Sabia que te encontraria.

Sabia como se sabe o próprio nome

como molhar é razão da chuva / E chovia!

Te reconheci porque nada fora mais cristalino

mais perturbador das conveniências

mais insinuante / mais acolhedor dos meus anseios /  mais confidente dos meus desejos

pouso para minha busca por amplidão.

Você me faz retornar ao amor.

Crédulo.

Mais !

Fiador de uma nova vida

Da beleza /  Da nobreza

Da certeza do raro encontro.

Da busca que finda.

Da alma que vibra /  Dos lábios que vertem beleza.

Meu corpo é chama

Meu espírito é colo.

Minha perspectiva se dobra a sua doce presença.

Vem!

Só amor te espera.

Décio Plácido, 02/07/2026

24 junho 2026

Me diz que teu nome é doce 

Que gruda nos lábios 

Um caramelo 

Um bem casado 

Me diz que o teu toque arrepia 

Que deixa marcas ao relar 

Um veludo

Um tapete felpudo 

Me diz que é raro te encontrar 

Uma aposta de loteria 

A fruta doce do pomar

E o olhar que não desvia 

Me diz que é você 

Que vai sentir o meu perfume 

Despir 

Roçar

Deitar 

Me diz algo bom 

Que eu recebo o encanto. 

Me diz que vai me pintar

No teu peito 

Mãos 

Costas 

E desejos.

Me diz que eu cheiro a folhas e desodorante

Décio Plácido, 24/06/27

22 junho 2026


Lá vou eu de novo! 

Desarmado

Descarado.

Vejo por entre a venda dos amigos

Venda de segurança - vejam só! 

Caminho em direção a ela

Só me importam os arrepios na carne. 

O sangue errando os vasos 

Os neurônios fazendo tranças 

E o coração é o meu corpo inteiro.

Lá vou eu de novo.

Desafiado. 

Desgastado.

Ando por poças sem me importar

Poça pra me parar - vejam só! 

Caminho pra ela e por ela.

Não importam o tempo e os passos!

Se minha respiração muda, eu atendo;

Se meus músculos contraem, eu aceito.

Lá vou eu de novo 

Atento

Aterrorizado 

Com a coragem de que chama meu nome…

Com uma quase certeza das mensagens digitais. 

Caminho para ela e por ela. 

Tenho medo quando você se cala; 

Tenho medo quando não consigo ouvir. 

Mas vou andando por entre minas

Algo, diferente de minha cognição, me guiará ao seu amor. 

Lá vou eu de novo

E não há nada que alguém possa fazer.

Mais vale o salto ornamental que a piscina;

É necessário subir o sarrafo.

É necessário que eu suba ao terraço.

Se minha respiração muda, eu atendo

Se meus músculos contraem, eu aceito

Se você me aparece, 

É para frente que se anda nessa espiral. 

É na nossa frente que o amor se mostra  como tal. 

Décio Plácido, 22/06/26

Mais do Mesmo Alívio!!!