01 novembro 2026
29 outubro 2026
28 outubro 2026
Podem dilacerar o amor
Transformá-lo em dejetos inacessíveis
Criar um Riobaldo red pilll
Um Reinaldo que jamais será Diadorim
Um Bentinho sem dúvidas
Porque dos meus pés
Nascerão uma astromelia
Uma gérbera e um copo-de-leite
Manterei a memória
Ainda que sob ataque
Ainda que eu tenha que atacar
Podem despedaçar o corpo
Traduzi-lo em línguas inadequadas
Inaudíveis e sem sabor
Desfazer as asas do beija-flor
Roubar a nobreza do mel
Ignorar o mar
Porque dos meus pés
Dos meus braços e dentes
Numa erupção de pétalas
Reerguerei quem tu és
Reerguerei a jornada que findaste.
20 outubro 2026
11 outubro 2026
eu não olho apenas nos olhos
como diria o poeta Buarque
eu fito a boca
com indiscrição até
o movimento dos lábios
derramando o mundo do outro
o que se deve ou seria
é de lá que saem os medos
os desejos as injúrias os afagos
a mentira dos aflitos
a verdade dos que sonham
os olhos não confundem
mas a boca entrega
o leve tremor do beiço
a língua inquieta
há muito na cavidade bucal
cabe até um céu
se é assim, permite um universo
é de onde saem as palavras
por isso demoramos a falar
juntar os vocábulos
lastro de meu existir.
29 setembro 2026
o amor não é para os comedidos
ele laça toda vida
não respeita relógio ou quilometragem
autopoiese em estado bruto
que diferenças?
quando o sussurro e o cheiro
tomam a cena do drama
nem o diabo se distingue de deus
não há decepção se há entrega
não há susto se há firmeza
como o mar profundo
também fica rasinho vez ou outra
não deixe as paredes em branco
rabisque de azul ou vermelho
escreva o seu paladar
pinte tudo aquilo que ainda não sentimos
26 setembro 2026
Ela me deu sua qualquer coisa como alma
Pediu que eu plantasse sob meus olhos
e debaixo de uma pedra
Uma espécie de mandinga estelar
Mas que daria frutos parecidos com fênix e unicórnios
Duvidei.
Nasceram ramos de jasmim pelos meus braços
Nunca fui tão perfumado e sereno.
Ela me aparava os galhos e os cabelos
A pedra mudava de cor e tamanho aos meus olhos
Por onde sairia uma ave do paraíso ?
Como ela me deixava feliz, epifânico
Eu não me lembrava das coisas terrenas
Sabia apenas de magias e esfinges
Flores e luas e reencontros e metamorfoses e pontes
Ela me cuidava… isso é amor em estado de existência
Eu, riacho, a invadia
E levava comigo uma parte daquilo que era qualquer coisa como o seu sol
24 setembro 2026
Escrevo para evitar vícios
Para não perder o tino
E para construir o agora
Único bem que carrego
Escrevo versos
Verdades e mentiras
Mas só coisas de bondade
Escrevo para me tocar
Para me sentir profundamente
Chego a tocar meus pulmões
Com uma palavra mais afiada
O coração é todo retalhado
Não há cola para o picotado
Escrevo e não me vicio
Ouço a música de Nietzsche
Mas não sei dançar
Só rabiscar fenômenos
E arriscamentos
14 setembro 2026
se o amor se divide
o que o junta?
a lealdade dos corpos
a solidez das promessas
a crueza dos sonhos
ou a cama devidamente
arrumada e esticada?
a ruína é a estrada para transformação
(acabei de ler na legenda dum filme)
se o amor se divide
faz sentido se juntar?
retransformar em um o que se fez dois
o que é essa matemática?
transformar a borboleta em lagarta outra vez?
o que viver sendo dois
quanto se perde sendo um
o que é isso de ser no amor
um sendo dois - dois que nunca foram um
um que sempre foi um - dois que nunca são um existir
se o amor se divide
é justo ou inverídico rearrumar?
o que decide isso?
quem discutiu isso?
o que pode se haver nisto?
27/08/26
11 setembro 2026
10 setembro 2026
sinto que o amor é suporte é faca de kit corte e densidade de todos os portes é uma barganha com a sorte Boa falta norte sobra símbolos de vida e morte não que isso realmente bote mas também não é algo que que se Dêpot Para o amor já fiz vários intensos quase virei ou somos todos detentos desse bolo quase não sobra fermento o corte seco é violento sido que o amor é algo tortuoso rio caudaloso terreno pantanoso um golpe pre sem aguento Calor de fogaréu mas não me arrebento
28/08/26
28 julho 2026
23 julho 2026
A vida nos impõe intervalos de solidão
O labor se apresenta
Os livros reinvidicam
Cuidar dos filhos
Contemplar o mar
Apreciar as lagartas
Escrever um poema
Me desnudar
Logo volto a te encontrar
Tão rápido quanto o sol se recolhe.
Logo o mar retorna
As borboletas voam
O letras se emancipam.
Os filhos nos despedem…
É só um piscar de olhos
Não mais.
Nada mais que isso.
Sob o risco de endurecer as pálpebras
Sob o risco de me afogar
Neste poço de tantos sentidos
Neste mundo de silêncios
Neste canto onde nem toda luz chega.
Décio Plácido, 23/07/26
20 julho 2026
19 julho 2026
Caramelo salgado
Brigadeiro trufado
O nosso amor
Servido num pires
Melando os dedos
Adoçando a quem se mela dos lados
Tentei evitar o açúcar
Como às outras drogas
Mas me trouxestes um beijinho
Carregado no coco
Que por amor comi uns oito
Que por amor guardei meus medos
Sim, nossos nomes doces
Sim, calda engrossando…
Um cozimento lento, atento
Na panela, na terrina, na bacia
Esse doce não cabe em qualquer lugar
É proveito de corações desfeitos.
Caramelo salgado
Um sentir nada gourmetizado
Mas de ingredientes incomparáveis
Selecionados pelo tempo - longo - da busca
A procura que manteve seu sabor
Na certeza que jantar finda na sobremesa
16 julho 2026
11 julho 2026
És única na minha experiência
Dos meus encontros e retroencontros
Não trazes nem poeira
Novinha em folha [que me perfuma]
És uma dádiva
Uma supernova em meu pequeno Universo
Chama
Me chama
Me incendeia e me levas pra junto de ti.
Nada igual foi visto
Nadinha nesses anos de busca
Uma longa pandemia de desencontros.
Vou acender um incenso
Algo que represente a gente agora
Bem agorinha
Queimando e perfumando
Existência se dá em reconhecimentos
Em saber que os olhos já se ouviram
Numa outra possibilidade de amor e vida juntos
Vou ascender um incenso e beber água
Queimo
E não viramos cinzas
Queimas
E adentramos em la dolce vita
Merecida por amantes e poetas.

