28 julho 2026
23 julho 2026
A vida nos impõe intervalos de solidão
O labor se apresenta
Os livros reinvidicam
Cuidar dos filhos
Contemplar o mar
Apreciar as lagartas
Escrever um poema
Me desnudar
Logo volto a te encontrar
Tão rápido quanto o sol se recolhe.
Logo o mar retorna
As borboletas voam
O letras se emancipam.
Os filhos nos despedem…
É só um piscar de olhos
Não mais.
Nada mais que isso.
Sob o risco de endurecer as pálpebras
Sob o risco de me afogar
Neste poço de tantos sentidos
Neste mundo de silêncios
Neste canto onde nem toda luz chega.
Décio Plácido, 23/07/26
20 julho 2026
19 julho 2026
Caramelo salgado
Brigadeiro trufado
O nosso amor
Servido num pires
Melando os dedos
Adoçando a quem se mela dos lados
Tentei evitar o açúcar
Como às outras drogas
Mas me trouxestes um beijinho
Carregado no coco
Que por amor comi uns oito
Que por amor guardei meus medos
Sim, nossos nomes doces
Sim, calda engrossando…
Um cozimento lento, atento
Na panela, na terrina, na bacia
Esse doce não cabe em qualquer lugar
É proveito de corações desfeitos.
Caramelo salgado
Um sentir nada gourmetizado
Mas de ingredientes incomparáveis
Selecionados pelo tempo - longo - da busca
A procura que manteve seu sabor
Na certeza que jantar finda na sobremesa
16 julho 2026
11 julho 2026
És única na minha experiência
Dos meus encontros e retroencontros
Não trazes nem poeira
Novinha em folha [que me perfuma]
És uma dádiva
Uma supernova em meu pequeno Universo
Chama
Me chama
Me incendeia e me levas pra junto de ti.
Nada igual foi visto
Nadinha nesses anos de busca
Uma longa pandemia de desencontros.
Vou acender um incenso
Algo que represente a gente agora
Bem agorinha
Queimando e perfumando
Existência se dá em reconhecimentos
Em saber que os olhos já se ouviram
Numa outra possibilidade de amor e vida juntos
Vou ascender um incenso e beber água
Queimo
E não viramos cinzas
Queimas
E adentramos em la dolce vita
Merecida por amantes e poetas.
09 julho 2026
06 julho 2026
Na sua entrega, me lanço aos seus domínios.
Como mago / Como desbravador / Como aprendiz
De um novo afeto
De uma nova possibilidade de existir à dois.
De um tempo de gentileza
nos olhos / no reconhecimento / do que já nasce como potência
como insígnia
como descanso para o amor
que há muito se pressentia
nos portos / nas veredas / nas ruas / em todo lugar de existência…
Persisti.
Sabia que te encontraria.
Sabia como se sabe o próprio nome
como molhar é razão da chuva / E chovia!
Te reconheci porque nada fora mais cristalino
mais perturbador das conveniências
mais insinuante / mais acolhedor dos meus anseios / mais confidente dos meus desejos
pouso para minha busca por amplidão.
Você me faz retornar ao amor.
Crédulo.
Mais !
Fiador de uma nova vida
Da beleza / Da nobreza
Da certeza do raro encontro.
Da busca que finda.
Da alma que vibra / Dos lábios que vertem beleza.
Meu corpo é chama
Meu espírito é colo.
Minha perspectiva se dobra a sua doce presença.
Vem!
Só amor te espera.
Décio Plácido, 02/07/2026
24 junho 2026
Me diz que teu nome é doce
Que gruda nos lábios
Um caramelo
Um bem casado
Me diz que o teu toque arrepia
Que deixa marcas ao relar
Um veludo
Um tapete felpudo
Me diz que é raro te encontrar
Uma aposta de loteria
A fruta doce do pomar
E o olhar que não desvia
Me diz que é você
Que vai sentir o meu perfume
Despir
Roçar
Deitar
Me diz algo bom
Que eu recebo o encanto.
Me diz que vai me pintar
No teu peito
Mãos
Costas
E desejos.
Me diz que eu cheiro a folhas e desodorante
Décio Plácido, 24/06/27
22 junho 2026
Lá vou eu de novo!
Desarmado
Descarado.
Vejo por entre a venda dos amigos
Venda de segurança - vejam só!
Caminho em direção a ela
Só me importam os arrepios na carne.
O sangue errando os vasos
Os neurônios fazendo tranças
E o coração é o meu corpo inteiro.
Lá vou eu de novo.
Desafiado.
Desgastado.
Ando por poças sem me importar
Poça pra me parar - vejam só!
Caminho pra ela e por ela.
Não importam o tempo e os passos!
Se minha respiração muda, eu atendo;
Se meus músculos contraem, eu aceito.
Lá vou eu de novo
Atento
Aterrorizado
Com a coragem de que chama meu nome…
Com uma quase certeza das mensagens digitais.
Caminho para ela e por ela.
Tenho medo quando você se cala;
Tenho medo quando não consigo ouvir.
Mas vou andando por entre minas
Algo, diferente de minha cognição, me guiará ao seu amor.
Lá vou eu de novo
E não há nada que alguém possa fazer.
Mais vale o salto ornamental que a piscina;
É necessário subir o sarrafo.
É necessário que eu suba ao terraço.
Se minha respiração muda, eu atendo
Se meus músculos contraem, eu aceito
Se você me aparece,
É para frente que se anda nessa espiral.
É na nossa frente que o amor se mostra como tal.
Décio Plácido, 22/06/26
20 junho 2026
A solidão não é estar sem alguém
Como se você estivesse só num deserto…
É uma força incontrolável,
Contra a vontade,
No meio de um um mar de afetos,
De amores, de alegrias e tantas virtudes
Que impele a uma tristeza profunda;
Iluminada ou não,
Palpável ou não,
Substanciada ou não,
Mas sem porta, janela, fenda, fresta…
É um estado de espírito
Que contraria a alma,
Que faz com que se tenha hemorragias
de sentido ou razão.
Afogar-se na superfície de uma dor cinza
Sem plano ou forma e aresta.
Sem expressão,
Sem definição,
Sem contexto,
O falso do falso que se instaura.
Décio Plácido, 20/06/26
25 maio 2026
Por favor, mantenha a calma
Não posso mais te encontrar todos os dias
Ah! se fosse só desejo
Se fosse só descer as máscaras
Se fosse só eu e você…
Minha senhora, os quartos estão alugados
Não tenho como ficar na rua
Ainda tenho algo parecido com um lar
Que vai estar lá quando eu voltar. E você?
É. Eu sei quando você vai e vem em qualquer lugar
Não se apresse em me julgar
Nada de forte, covarde, perdido ou atroz
Só um corpo cansado de cair
Em febres e tolerâncias sem fim
(a insistência de um amor ruim)
Minha senhora, meu copo-de-leite
Descanse enquanto me atiro no mar
Enquanto ainda dá pé no peito
Não sei o que há de vir, é ou já foi
“Sou metal, raio, relâmpago e trovão “
Não posso me entregar assim à traição.
Por favor, mantenha a calma
Todo dia, todo hoje, todo o amanhã
Não sei se suporto, senhora
O para sempre é um ingrato delírio
Você é minha mente juntas: um doce maratírio
Décio Plácido, 25/05/26


