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26 agosto 2014

Inelutável

O que eu sei é que esta dimensão chamada vida é algo onde não se fica, ou se sai, inelutavelmente; claro que existem epifanias ao acaso para que cada célula do nosso corpo, que nasce e morre enquanto estamos vivendo não padeça de tédio e leve consigo todas as demais, alienadas da condição de fragilidade, depressão, finitude, psicose e carência. A vida, inexoravelmente, tem o tempo e o tamanho que damos a ela, com os mimos e os espinhos que construímos, principalmente para nós mesmos, no decorrer do Tempo. Incluir aí fé, amor, ódio, desespero, pequenos e grandes vícios (deliciosos ou não), arrogância e humildade: uma série chata de sentimentos antagônicos... Deixa este arranhão aí: - vai curar sozinho... E aquele olhar fulminante, que despiu até a pele... Quem sabe amanhã? E não se quer que a vida seja uma arena de gladiadores (esqueça Russell Crowe e  Joaquin Phoenix)... Mas, ainda assim temos as happy-hours -que só tem dois objetivos "piriguetetar" ou falar muito mal do sexo oposto; mas o seu contraponto também existe: como o Facebook está de doer, restará a TV por assinatura e o sorvete de creme e chocolate - não há condição psicológica nem para reler o Pequeno Príncipe. Só que o arranhão não vai curar sozinho, sem deixar cicatriz, mesmo com terapia. E o olhar que arrancou até a pele, pode não voltar, o ego não suportar e pra terapia entrar. Eu disse que essa vida era inelutável.




Marisa e Renato Russo - Celeste

(Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=qQbUBjourCE  26/08/14, 01:22h)


28 julho 2009

m.o.r.t.e.s.

A morte, às vezes, parece um presente. Suas névoas e sombras de mistério. Seu ar soberano... sua libertação. A displicência em mim. Meu desejo, meu cansaço, essa constância de ímpetos. A covardia e a coragem se entrelaçando. Já estou sem paciência. A desconfiança só pode ser revelada num muro sem divisões - começo a pensar em execuções e lamentações. O que interessa é que nunca a senti [a morte] tão presente, com seus braços mornos, seu olhos azuis, sua pele macia, seu cheirinho de sândalo, mas sem qualquer epifania. Penso que não deveria interessar-me tanto por Deus... seria superior às tormentas. Quanto mais penso que duvido, enobrece-se e se torna inabalável minha fé. Não sou bandoleiro ou poeta - que regalo teria? Falo de mortes, do presente proscrito, do que já foi escrito na alma, portanto, no corpo [para além de tudo, doído], do medo e da queda, do grito que vicia e é amplificado nas solidões. Todos estão calados. Por que falar das próprias mortes? Sem quebrantos de amor ou dores concretas. Gostaria de ter outro projeto. Os que me importam já estão sendo tocados, e bem. Mas, neste momento, o ponto é a morte do que nos resta, do que já não mexe, já não mais arrepia - para que uma nova vida cresça sem mortes.

Mais do Mesmo Alívio!!!