31 julho 2023

O que no início era óbvio,

Hoje, vai sendo questionado.

O que era meu, próprio, 

Esvaneceu no dia já raiado.


Certezas voaram há tempos.

Não as trouxe da meninice. 

Só dúvidas trazem os ventos, e 

A fé cega é mesmo uma tolice.


O que defendi com dedos em riste

Quando estive jovem ou louco,

De se desfazer muito insiste

Deixando meu grito rouco.  


O que antes era tido como óbvio,

Hoje, é questionado. É verdade?

Mudou de vez a perspectiva.

Mudou o frescor da minha idade.

28 julho 2023

Promessas em versos

Ela me deu um papel com um poema.

Diz que fez com as próprias mãos!

Ao ler, não consegui disfarçar a emoção, e

Entendi de vez que amar valia a pena. 


Ela escreveu tanto sobre carinho, e

De quando as almas estão de mãos dadas.

Quando não existem mais paradas

E só desejos preenchem nosso caminho.


Era um texto lindo. Me entreguei! 

Palavras que me içaram ao céu. 

Se tivessem cheiro… Seria o de mel! 

Tinham delicadeza,.. Eu bem sei.


Ela me deu um papel e sua poesia.

Palavras arranjadas num tom dourado.

Uns versos e um olhar apaixonado 

Entregam às promessas sua garantia. 

22 julho 2023

Conforto.

Espero sua mensagem
como a um barco no porto.
A notificação que traz alívio,
o carinho que gera conforto.

Quando as palavras chegam
carregadas, repletas de você,
sinto uma verdade e isso é bom.
É o destino que diz o que vai ser.

Aguardo todo dia a sua ligação
como uma semente a germinar. 
Seu sussurro acalma o coração

Traz de volta ao peito o ar.
O trem que chega à estação.
O casal que volta e se encontrar. 

20 julho 2023

Sobre as nuvens,

Retorno.

Volto à linha guia.

Ao eixo.

Para a busca de simetria. 

Daqui de cima

Tudo é horizonte.

Tudo é pequeno.

Tudo fica pra trás. 

Tudo se vai longe. 

Sobre as nuvens. 

Volto à régua,

Aos horários,

Aos pacientes. 

Aos sentidos dos relógios. 

Daqui de cima, 

Neste novo voltar, 

Aprecio o tempo,

A preparação. 

Sou comedido na emoção. 

Sobre as nuvens, 

Dou uma volta 

Na idade,

No cronômetro,

No calendário.

Daqui de cima

Tenho a distância exata

Para tudo ver e

Para nada sentir. 

Para escrutinar

Afetos, 

Remorsos 

E desejos. 

Nesta aeronave, 

Olhando o campo de algodão 

Tenho a certeza 

Que voltar e ir 

São o mesmo desafio.

São a mesma provação. 

Tomo um café e

Reacendo impressões 

Enquanto o voo está calmo, 

Dado às reflexões. 

Sobre as nuvens 

Para onde se olhe 

Há horizontes. 

12 julho 2023

Pronto pra sair

Estou sempre pronto pra sair. 

Pra não alimentar o incômodo.

Não entendo o porquê de resistir … 

Pouca mala, pouco pranto e pronto. 


Pouco engano, pouca cicatriz.

Se não for pra junto caminhar,

Não faz sentido estar por um fio.

Nas distâncias, o que é que se diz? 


Sou dado a mergulhos antes de sair,

Mas somente onde dá pé.

Não me venha com lição ou orgulho,

Que o futuro não está na borra de café. 


De três, estou sempre pronto pra sair:

Da roda viva imposta pelo capital;

Dos caminhos apontados pela fé;

E das infindas discussões de casal.


Na real? Sair para poder respirar.  

Sair para de lembrança ter o encanto. 

Sair para que não haja desencontro,  

Descompasso entre desejo e caminhar. 

04 julho 2023

Na direção

Esperando os minutos pra sair,  

Cair numa nova descoberta, 

Fechar os olhos e seguir. 

Qual a direção certa?



As horas escapam ao controle.


O desejo intenso que era ir 


Perde um pouco o brilho.


O rio tem que fluir!



Quero poesia pra essa hora.


A hora de querer o inusitado.


Soltar as amarras sem demora.  



Não importa o resultado. 


Quando saudade devora,


Não dá pra ser evitado! 

26 junho 2023

Nada no radar

parei de escrever. 

uma dor profunda,

coisa que inunda,

que faz desvanecer.


sem ideia inspirada.

nada no radar.

vazio de assombrar 

em cada mirada.


papel e quebranto 

dedo em riste, 

marca de pranto.


há quem assiste,

mesmo de canto,

este poema triste. 


18 junho 2023

Esperando você

Você parou de me ler.
Seus olhos eram um norte. 
Agora, sem qualquer sorte, 
o demônio volta à porta. 
Quero crer que você se importe.

Você calou os comentários.
Suas carinhas e reações e 
essas coisas que sugerem ações. 
Eu recebia o carinho com deferência...
O que você me diz de emoções?

Você parou de me ler?
Por que tal infortúnio no destino?
Só falo de verdades e desatinos,
mesmo escrevendo aos quatro ventos.
Ser amado é mesmo uma forma de instinto?

Me acostumar com a ausência?
Seria uma forma gauche de morte.
Sentirei sempre como um corte,
ainda que cosido pelo tempo.
Que situação! Não há o que conforte. 

Você parou de me ler.
E eu vou escrever vários ninhos.
E se visitar as letras de fininho
e elas nada disserem de seu avistar, 
de qualquer jeito, haverá um caminho.

Mais do Mesmo Alívio!!!