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15 abril 2010

Inscreva-se

Inscreva-se na alma e no corpo de alguém...perca-se sem fios de seda ou caminhos de pães... desista de guardar só para você o que é naturalmente de outro - esqueça! Não há outro jeito sadio.
O que digo talvez não faça sentido, mas atiça todos os cinco, seis, sete e quantos mais tivermos. O que digo é camaleônico, como este que trago na pele -  que ao invés de mudar de cor, mudar de humor, amor, dor, flor, e todas as rimas pobres que a vida dá de graça e que nós olhamos sem graça, torcemos o nariz, mas torcemos para que alguém nos mande uma, umazinha que seja, numa madrugada fria - deixe as ricas para o dia, no auge da lucidez (qual?), dos lírios, rosas e gérberas, quando muito, ou nada, paras os arranjos de orquídeas com chocolates finos.
Seja de manhã, ou quando acordamos ao meio-dia (exaustos); seja de tarde, quando se transa o crepúsculo; seja a noite, a dona dos nossos corpos, há somente um deus a nos guiar: Eu-Você.
Cansei. Ofegante estou. Um orgasmo de palavras me invadiu, penetrou minha alma, inscreveu-se. 
 

04 agosto 2009

á.g.u.a.

não há água que chegue
p'ra boca que seca
amor que não presta
mão que (não) se eleva
amigo que entrega
parente que não pega
inimigo que reza

não há água que chegue
p'ro sono que faltou
no pranto rolado
no desejo falhado
p'ra ansiedade que chegou
no beijo não roubado
p'ros pensamentos truncados

não há água que chegue
p'ra saúde que espera
humor que tolera
saudade que exaspera
no peito que acelera
- pois já é noite, quem dera?
-nas fotos ainda é primavera!

não há água que chegue
p'ra caos formado
p'ro mesmo amor em pedaços
- saia, deixe de estardalhaço!
p'ro sonho já cansado
- disso, só estilhaços!
para a lágrima do palhaço

não há água que chegue
p'ra ferida do espírito
p'ros moinhos de minha paciência
p'ro salivar
excitar, engolir e permitir
para mim e para você
para desfazer o que não foi feito!

salve "as-águas".

19 julho 2009

Percebi a noite

percebi, outra vez, que era noite
noite sem sombras nem desejo
gritos ou sussurros já haviam calado
percebi a noite como um exaustivo espelho

percebi que era noite clara
semáforos angustiados nublavam o néon
televisores formam um insone vitral
percebi tudo na solidão de minha existência

a noite já era um não-ser
caras plásticas sem vestígio de qualquer alma
nomes de promessas e instantes de ofensas
percebi a noite como uma máscara vienense

a noite fria dos medos
ruas em transe e falas contidas
sonha-se um sonho cinza em cada meio-fio
a noite já não era minha madrugada
- já não tenho mais café!
ouço passos apressados e encantamentos modernos
semblantes diferentes que clamavam e reclamavam o mesmo

percebi que amanhecia
e voltei a sorrir.

Mais do Mesmo Alívio!!!