05 novembro 2026

Eu costumava caber

Não reclamar do espaço 

Ser livre para escrever 

Não ver a hora e a roupa 

Nada era contra a sintonia 

Não havia lonjura 

Nem apertos 

Tudo era uma só 

Existir em si 

Uma faísca de aventura

Uma nota perfeita

Quando executo uma canção 

Andava pela Cidade da Bahia 

Era um pé de vento

Era o galho de arruda em cada orelha 

Eu costumava caber 

Era o número e o tamanho 

Era o café preto sem açúcar do fim da tarde 

Sei que é redundante café preto sem açúcar 

O leve queimar dos lábios no descuido da xícara 

Os perfumes depois dos abraços 

Era brasa e também folha virgem

Era moreno de brincos de ouro 

Era o iogue dos afoitos

 Era a cor da minha própria voz

Eu vestido até os verbos de mim 

Até quê? 

Como dizer?

O próximo segundo irremediavelmente chegou. 

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