11 outubro 2026

eu não olho apenas nos olhos 

como diria o poeta Buarque 

eu fito a boca 

com indiscrição até 

o movimento dos lábios 

derramando o mundo do outro

o que se deve ou seria 

é de lá que saem os medos 

os desejos as injúrias os afagos

a mentira dos aflitos 

a verdade dos que sonham

os olhos não confundem 

mas a boca entrega

o leve tremor do beiço 

a língua inquieta 

há muito na cavidade bucal 

cabe até um céu 

se é assim, permite um universo 

é de onde saem as palavras 

por isso demoramos a falar

juntar os vocábulos 

lastro de meu existir. 


Mais do Mesmo Alívio!!!