29 outubro 2026

Quando fecho os olhos 
Só há um branco que cega 
Me impede de sonhar e isso me faz claudicar 
Mancar na rotina ordinária 
A dor do desalinho
O sofrer da assimetria 
Porque você não opera? 
Como consertar o inefável? 
Como por prótese ou curativo no infinito desalmado ? 
A alma ainda não voltou 
Mas já mandou recado. 
O inferno não são os outros 
Mas o corpo sem o outro 
Sem o sabor dos olhos…

28 outubro 2026

Podem dilacerar o amor

Transformá-lo em dejetos inacessíveis

Criar um Riobaldo red pilll

Um Reinaldo que jamais será Diadorim 

Um Bentinho sem dúvidas 

Porque dos meus pés 

Nascerão uma astromelia 

Uma gérbera e um copo-de-leite 

Manterei a memória 

Ainda que sob ataque 

Ainda que eu tenha que atacar 

Podem despedaçar o corpo 

Traduzi-lo em línguas inadequadas

Inaudíveis e sem sabor

Desfazer as asas do beija-flor 

Roubar a nobreza do mel 

Ignorar o mar 

Porque dos meus pés 

Dos meus braços e dentes 

Numa erupção de pétalas

Reerguerei quem tu és 

Reerguerei a jornada que findaste.  

20 outubro 2026

com quem foi que assinei contrato

versando de amor, assim nos peitos

discorrendo sobre afogamentos

assim de todo jeito?

A saudade não tem régua

Se apossa, faz miséria

Separa alma e matéria

Ou tem a demora de uma légua



há lúgubres lugares 

De novo e retorno 

onde não se deve voltar 

Nem na porta 

para a beira do precipício 

Chegue ao mar 

para uma amor em frangalhos 

Levante o pó 

ou para o hospício.

11 outubro 2026

eu não olho apenas nos olhos 

como diria o poeta Buarque 

eu fito a boca 

com indiscrição até 

o movimento dos lábios 

derramando o mundo do outro

o que se deve ou seria 

é de lá que saem os medos 

os desejos as injúrias os afagos

a mentira dos aflitos 

a verdade dos que sonham

os olhos não confundem 

mas a boca entrega

o leve tremor do beiço 

a língua inquieta 

há muito na cavidade bucal 

cabe até um céu 

se é assim, permite um universo 

é de onde saem as palavras 

por isso demoramos a falar

juntar os vocábulos 

lastro de meu existir. 


Mais do Mesmo Alívio!!!