05 agosto 2011

c.o.n.s.t.r.u.ç.ã.o.

Chamem-me de luz e de cometa ou de estrela - mas não me digam do túnel ou da masmorra e da sombra. Sou o que dobra no canto de um quarto ou de um salão de beleza ou mesmo de uma floresta sem encantos. Sou minha própria dobra - comsumindo-me em mim e do lado de dentro.
⚝
Na mesa de trabalho uma caneta um bloco de memórias alheias mais alguns sonhos esquecidos no consultório... Na mesa tem os meus anos de estudo minhas angústias de análise mais as palavras dos que portam o estandarte... Na mesa tem o arrepio da fantasia de o outro saber-se e a certeza de poder-me. Oh, na minha mesa...
⚝
 Vejo-me envolto em feixes de luz e questões de todas as matizes de cores. O amarelo e suas nuances misturado ao quem-sou-eu-? O vermelho pergunta de onde vim e o azul - ah, o azul ... Oito infinitos em potência e dever me vestem enquanto passeio pelas veredas de descobrir.

01 agosto 2011

Tempo

Tempo sem postar
Tempo de por demais de ansioso
Tempo de movimento
Tempo certeiro e reto, nada duvidoso
Tampo de palavras não prostrar
Tempo para a saudade, não o lamento...


"Tudo com Tempo tem tempo."

23 julho 2011

q.u.e.b.r.a.d.ei.r.a.

Tenho samba chula e

Não me canso de mapé,

Levo tudo num jeito faceiro 

Do Paraguaçu ao Subaé. 

Dos Caxixis a maniçoba. 

- A carimã o cuscuz e a tapioca.

As espadas ao pé de Cruz

Antônio ou Almeida?

Esta questão não se coloca.

De São João que é frio

Ao petróleo que é rentavelmente quente,

Vou comendo camarão 

Lagosta e siri de mangue, e 

Sem esperar que ninguém me mande

Desço um litro de aguardente. 

Fico leve em São Braz,

Arretado em Maragogipinho,

Sonso na praia de Monte Cristo,

- Cabuçú, o que é que isso?

E sossego na de Encarnação!

Subo até Camamu

Desço cortando Dendê

Ponho tudo dentro do meu samburá

Porque na Boa Morte eu vou vender. 

Pra não dizer que só bato Candomblé

Jogo capoeira, me apresento pros outros, 

E faço verso para um qualquer...

Agora vou de vapor pra Faculdade.

Vender livro na feira de gente grande 

Enquanto chupo um rolete de cana

Esperando pra virar Doutor.

Retratismo ou Poesia?

O barro ou o caçuá? 

É fazenda ou é cozinha?

Beira de estrada ou pernas no mar?...


17 julho 2011

c.h.a.n.g.e.s.


V.e.n.t.a.,. .v.e.n.t.o.

Venta, vento venta.
E sinto um deprimente vazio! 
Como se não fosse obstáculo para o vento gélido e seco que me atropela. 
Rasga sem tocar. 
Esquece de pedir - invade, dilacera e segue. 
Como se entre eu o vento não houvesse mais cordialidade.
Ele não traz mais nada.
Eu não peço coisa alguma. 
Por que gritar se me sinto destituído de tudo. 
Quieto, apenas quieto. 
Sem forças para oferecer resistência. 
Sem qualquer condição de ouvir seu assobio. 
Assombroso ruído toma pé. 
Saio de mim 
e penso: 
Não sou pedra pois sou brisa!
E é apenas como se. 
Ainda se fosse algo oco e sem substância, deveria merecer algum crédito metafísico. 
Ainda estou aqui pensando. 
Pensando em como é ter as pálpebras fechadas.
Por que não deixo o vento me fazer flutuar ao invés de ficar sob ele. 
Seco a boca que pensa e dorme demais.
Mesmo que no vazio. 
Já disse:
é co-mo se!
Não é real. 
Não sou lágrima pois sou suspiro.

14 julho 2011

f.r.u.t.o.-.p.u.r.o.

Eis que surge um futuro.
Eu não lhe cuspo
Nem viro a cara
Ou arranco-lhe as vísceras.
Não sou seu parceiro,
Cúmplice tampouco...


Eis que surge um devir.
Não lhe entrego meus colares
Nem aceito qualquer disfarce...
Por puro ou desastre.
Não sou testemunha
Nem recebo o que ele traz à revelia.


Surge um 'de novo'...
Um mais novo.
Um outro
Que não pôde deixar de ser...


Eis que surge um futuro.
Não o como ou entrego
É fruto-puro
Que empunho feito a espada.
Esta que na experienciação do olhar
Nas lágrimas (e sorrisos) -  eu sigo a forjar.


Eis que surjo!

06 julho 2011

q.u.e.m. s.e. p.e.r.d.e.?

Quem se perde de mim,
Quem toma meu assento,

Quem se beneficia dos meus aposentos,
Quem põe minha cara ao relento?

Quem me lambe a nuca,
Quem me rouba a alma e me chama louca,

Quem troca o meu nome pelo da outra,
Quem se perde de mim?

Quem se perde de mim,
Quem me amordaça,

Quem me tira a alegria e me chama palhaça,
Quem me despedaça?

Quem é a mina em campo aberto,
Quem não me quer tão perto,

Quem é ele que, sem  mirar, eu acerto,
Quem se perde de mim?

Quem se perde de mim,
Não pede, não sonha,

Não transa, não morre,
Quem não vive mais em mim?

02 julho 2011

i.n.s.i.g.n.i.f.i.c.â.n.c.i.a.s

Já chegou se apresentando
Dizendo das maravilhas que ouvira,

dos revezes dos sonhos
e os pretextos que de volta o traziam.


Alimentou-me com algumas imagens
fez-me álbum de fotografias

fez-me mulher vazia...
Expôs uma enormidade de insignificâncias


Fez eu retocar todas as tatuagens
e massagens na alma, no ego... nos pés

Tinha por trunfo a luxúria
e por força minha coleção de cumplicidades


Prometera tudo o que já devia, e
Calou minha boca nostálgica...

Ficamos mais nus quando em êxtase
e mais cientes das dúvidas na saída.


Já chegou e já saiu
Comeu-me até as letras 

Ate ficar sem suporte ou resistência
Já chegou, comeu a mim, e saiu!

Mais do Mesmo Alívio!!!