29 fevereiro 2020
23 setembro 2019
Divino em água
A água que corre na fonte fraquinha
É a mesma do longínquo horizonte
Lá onde me perco em devaneios
E somem os vincos da testa
A águas que banham as areias da costa
São as mesmas que me convocam
Para a bênção seminal do infinito
Para reforçar o que está escrito
As águas que dividem margens
E que não se perdem em pedras
São as mesmas que me afogam
Para ressurgir em espírito e corpos novos
A água preparada que me banha
Também me sacia a sede
Abre a conexão com meus deuses
Faz-me menino, homem e divino
Meu corpo é água
Tratada em mata e ouro
E hábil em refletir luar e prata
Enquanto define caminhos.
Décio Plácido, 05/09/19
05 julho 2019
Ela me fala
ela fala
eu amo e reajo
eu escuto e reparo
posso brigar
no fim, calo
ela fala
e diz dos seus pontos
tensionamos a corda
me arrependo
no fim, um estalo
ela fala
retruco em audácia
dizemos o mesmo
repreendemos a insensatez
no fim, ela cala
me ensine a fala
na delicadeza de seus ouvidos
uma reta ao anticentro da razão
aprenderei a dizer das suas coisss
e não haverá silêncio.
ela me fala.
11 novembro 2018
Desejo que seja
09 setembro 2018
Quando a alma sai
E me deixa com lambadas de solidão
Meu corpo reage cansado
Às imagens de um córtex privado de emoção
Laçado por neurotransmissores descompassados
E me deixa com correntezas nos olhos
Meu sorriso foge
Para o fundo das entranhas, sem abrigo
Escondido da ausência de cor e dor
E vejo suas fraturas expostas
Meu corpo reage confuso
A dor que nao dói esfola e mata
A pele íntegra, perfumada e sem brilho
Por ferimento, intolerância ou deleite
Meu corpo reage à sua voz
Dizendo do seu amor e preocupação
Obturando minha lacuna com a suas flores.