17 março 2025

Vamos todos voar

Ainda não sei voar, 

Mas aprenderei.

Por enquanto,

Vou pegar um avião 

E deixar meu coração 

Feito lembrança.  

De tão investido,

É uma espécie de amuleto. 

Pra andar junto. 

Pra guardar perto do peito. 


Ainda não sei voar, 

Mas você verá 

Com meu coração na mão, 

Com o feitiço pronto,

De tão encantado 

Meu amor sair do chão.  

Ascendente 

Como um sonho bom. 

Provocante e delicioso 

Como uma caixa de bombons 


Ainda não sei voar.  

E todos voaremos 

Como os dentes-de-leão

No curso do destino

Apresentado pelo universo.  

Somos poeiras conscientes 

Que se doam e coisa e tal. 

Sabe-se lá pra quê,

Ainda menos pra onde… 

Mas amar é bússola individual. 


Ainda não sei voar, 

Mas trarei você comigo.

Não arrisco perder 

Os braços ou as vísceras.

Basta a vida ser um perigo.

Quando tivermos no alto,

Disputando com as águias,

Saberei que é a hora 

De te mostrar minha estrela;

Do amor ir à forra.  

24 fevereiro 2025

A pedra dura do trabalho pesa na pele azeviche. 

Voltamos nos séculos. Vejo; ninguém me disse. 

Extrapola nos que têm cor - toda gente.

Os que têm dor, botam o carnaval pra frente. 


Os tumbeiros não sangram mais os mares. 

Usam giroflex nas ruas das cidades. 

Prendem, mas soltam, ricos covardes. 

Prendem e matam - negros cadáveres. 


Há muito o tambor ancestral resiste.

Não cede à falta de câmera no uniforme. 

Às perseguições nos camarotes de grifes.

O batecum é uma herança, não dorme. 


100 reais para sustentar o apartheid 

Manter de pé e - inabalável - a corda (bamba)

Os de dentro e os de fora da night 

E o carnaval segue (sempre) o rumo do samba. 

06 fevereiro 2025

Se deus está em tudo, 

Não sobra espaço para o acaso,

Para a inaugurar a criação. 

Não há possibilidade para o erro.

Com ele, é só perfeição. 

O caminho está traçado. 

Para que invenção? 

Há pouca margem pra liberdades, 

Tanto faz vilarejo ou cidade

Jovem demais ou deveras ancião. 

Livre arbítrio!; defendem os crentes, 

Mas ele sabe sua escolha de antemão.

Você pode ou não amar o próximo 

Ele se faz de doido, e não tem retaliação. 

Se você for ateu,

Ele perdoa! 

Veja só! Ele perdoa sua condição. 

Se deus está em tudo,

Gritar e espernear não é uma opção; 

Pois nem para se ser, existir, ter vida

O diabo depende de verdadeira liberação. 

Não adianta se esconder

Procurar refúgio, ocultação. 

Será que ele tem os olhos de Bette Davis? 

Talvez ele seja um espião.

Deus vê tudo que se faz 

Desconfio que ele mesmo precise de salvação.

Décio Plácido, 06/02/25 

23 janeiro 2025

 Quando uma sombra recai sobre mim

Não tenho medo de uma nova procela

Fico assim meio jururu, um pouco down 

Mas, como um rio, passa e já era. 


Um nuvem que esconde o sol 

Me faz sentir um frio na espinha 

Sei que tenho curiosidade e coragem

Ou me visto de quando muito eu tinha. 


Quando o astro amarelo se impõe 

A lágrima e o brilho nos olhos são tal 

Que o acelerado bater do coração  

Dá uma valentia (sentença) pra geral. 


Quando finalmente vejo o dia 

Com todas as suas coisas e lousas 

Faço festa pra pequena brisa e 

Para o arco-íris que na minha mão pousa. 

Décio Plácido, 23/01/25

21 dezembro 2024

Escrita e subversão

Sempre estão na mesma frase.  

Seja por destino revolucionário, 

Ou por dever da poesia. 

O que mesmo que há de ser? 


Escrever o intratável.

Escrever a angústia do não.

Escrever passarinhos 

É um ato de heroísmo

Que afronta até o Cão. 


Escrever e subverter 

Como um ato de amor; 

Como um ato de clemência.

O ato de insubordinação 

Que do verso retira o rancor. 


Escrever o indisponível.

Escrever a asa de um querubim.

Escrever coloridas auroras 

É como me desnudar inteiro e  

Ativar (da satisfação) o estopim. 


Escrever para subversão

Sonhos

Intensidades

Sentidos

Coisas da contramão. 

13 dezembro 2024

Querer gritar. 

Soltar as bestas 

E ansiar o desaparecimento.


Espera! 

Aguardar secar 

Tudo que é de cimento. 


Deixar de berrar.

Paciência! 

Já que há pertencimento. 


Um passo calmo 

Daqui pra ali 

Consome todo sofrimento. 


Respira!

Conta o infinito. 

Ser já é o próprio alento. 

Décio Plácido, 13/12/24

11 dezembro 2024

O tempo é um cavalo desembestado 

Que tira e dá valor às coisas. 

Em poucos segundos,  

Não saberemos 

De nada 

Mais. 

04 dezembro 2024

O meteoro, na Terra, não cai 

E os valores já se esvaem. 

Os militares não caem 

E a esperança já se retrai. 


O meteoro, gente!, demora

Enquanto humanidade degringola.

Os políticos roubam de sola

E a paciência desde antes se evapora. 


O meteoro será que falhou? 

A natureza estamos rápido perdendo…

Os policiais sujam nosso show

Aqui, os homens nascem devendo


O meteoro será que não chegará?  

Já não mais há tantos Gils e Marleys…

Nada para os ricos bastará;

Querem roubar até aquilo que sei. 


O meteoro vem muito lento…

Já não há espaço para tanta fantasia 

E magistrados são punidos com aposentadoria.

Falta tudo: de pão e noção a unguento. 


O meteoro parece estar vindo de ré 

E as fake news nadam de braçadas

A pobreza não deixa de ser fomentada 

Já é difícil pro planeta se sustentar de pé. 


Será mesmo que virá o meteoro

A purgar o todo excedente?

Será mesmo que ele virá?

Haverá esconderijo pra inocente? 

04/12/24

Mais do Mesmo Alívio!!!